ENTREVISTA - ROBERTINHO SILVA
Como será o workshop?
Vou tocar e contar histórias. Falar das minhas referências, dos meus rudimentos, da minha técnica e dar dicas. Vou falar, por exemplo, de como ocorreu a mudança da bateria tradicional da década de 1940 para a bateria moderna no Brasil. Também vou falar sobre a evolução do samba na bateria. Tenho uma coleção muito grande de instrumentos, alguns que nem os brasileiros conhecem. Vou levar as peças básicas.
Como você avalia o estágio atual dos percussionistas brasileiros?
Houve uma evolução muito grande. O Brasil virou um celeiro. Isso começou com a Carmen Miranda, que botou um saco de bananas na cabeça e encantou o Tio Sam. Depois veio a Bossa Nova, o samba jazz e ganhamos o mundo. O Brasil ficou chique, ficou moderno. Hoje tem movimentos na Bahia, em Pernambuco, em vários pontos do País. A concorrência está grande. Acabou a ilusão de ir para o exterior. O baterista do Barão Vermelho, Guto Goffi, tem uma escola aqui perto de casa: todo ano está lotada de europeus querendo aprender os ritmos brasileiros. Recentemente estive na Holanda onde dei um curso de 13 dias para a orquestra. Eles ficam impressionados com o ritmo brasileiro porque lá o sotaque musical é americano. Em novembro vou para a Dinamarca.
Você está com algum projeto de disco para este ano?
Tenho três discos aí. Um, ''Cara e Coroa'', será lançado no dia 19 de novembro. Gravei em parceria com o violonista Gabriel Improta. Os outros dois foram gravados respectivamente com o baixista Eduardo Machado e com o guitarrista Alexandre Birkett.
Qual o toque que você daria para um músico que pretende ser tornar bateria ou percussionista?
A dica é que a gente tem que estudar e pesquisar a vida inteira. Existe um preconceito de que o baterista ou percussionsita não precisa ler partitura. Precisa sim. Outra dica é não copiar os americanos. Procure montar sua bateria ou percussão com instrumentos fabricados por luthiers nacionais. Tente criar seu próprio timbre, tenha personalidade. A maioria das indústrias não consulta os músicos para nada e fabrica instrumentos que não trazem sonoridade brasileira. O brasileiro é criativo e tem um talento inato. Eu mesmo montei minha primeira bateria com latas de manteiga.





