ENTREVISTA - Retorno consistente
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de agosto de 2004
Mariana Meireles<br> TV Press 
Leonardo Vieira estava morrendo de vontade de voltar a fazer novelas antes de o autor Aguinaldo Silva e o diretor Wolf Maya avisarem que o queriam em ''Senhora do Destino''. E não é para menos. Afinal, o período de ''jejum'' foi longo. O último trabalho do ator na tevê foi a minissérie ''Os Maias'', exibida em 2000, e a última novela, ''Suave Veneno'', há cinco anos. Os dois casos, ainda por cima, eram participações. Novela inteira ele não fazia desde ''Quatro por Quatro'', há exatos dez anos. A volta em horário nobre e com um personagem cheio de conflitos faz Leonardo saborear ainda mais o momento. ''Gosto de fazer novela pela rapidez e concentração que exige. É um ótimo exercício. Além disso, é onde você fica mais próximo do público'', explica.
Durante todo o período de afastamento da tevê, no entanto, Leonardo trabalhou sem parar. Logo depois de ''Os Maias'', que foi gravada em Portugal, foi convidado a permanecer no país para atuar na novela ''Ganância'', produzida pela NBP e exibida pela SIC. A volta para a Globo poderia ter acontecido em seguida, quando recebeu convite do diretor Luiz Fernando Carvalho para atuar em ''Esperança''. ''O papel era bom, mas eu estava chegando de Portugal e tinha de organizar a minha vida aqui'', conta o ator de 35 anos, que acabou mergulhando no teatro e no cinema em seguida. Foram três filmes: ''O Vestido'', de Paulo Thiago, ''Concerto Campestre'', de Henrique de Freitas Lima, e ''Veias e Vinhos'', de João Batista de Andrade apenas o primeiro estreou e temporada de um ano com a peça ''Arlequim, Servidor de Dois Patrões'', de Carlo Goldoni.
O que mais chamou sua atenção no perfil de seu personagem em ''Senhora do Destino''?
Muita coisa, como a culpa que ele traz pelo sequestro da irmã Lindalva e o envolvimento que terá com ela. Ainda não sei se vai ocorrer um incesto, mas ele se apaixona por ela e sofre. Além disso, é rejeitado pela esposa, que ama o irmão dele. É sensível e emotivo. Dos filhos da Maria do Carmo, o Leandro é o que mais tem conflitos.
Até por ser rejeitado, ele foge totalmente do estereótipo de galã do Coronelzinho José Inocêncio, que o alçou à fama em ''Renascer''. Como encara isso?
Pedro da Maia de ''Os Maias'' também não era do tipo sedutor e foi o personagem que mais gostei de fazer até hoje. O galã fica sempre mais restrito a determinados comportamentos. Esses dois últimos são mais conflituosos. Acaba sendo mais rico para o ator fazer personagens assim.
Quando você estourou em ''Renascer'', há onze anos, achou que sua trajetória ia ser diferente?
Nunca faço planos a longo prazo, penso no máximo no que quero fazer daqui a um ano. É assim que tenho levado a minha carreira. Não sei se ela está do jeito que eu imaginei, mas posso dizer que sou feliz com o caminho que tenho trilhado. Faço poucos trabalhos na tevê, mas todos são legais, o público gosta e a crítica também. No teatro, tenho feito comédias clássicas, que é o que mais gosto. No cinema, fiz filmes com conteúdo político e social bem interessantes. Fico feliz em conseguir transitar pela tevê, teatro e cinema.
Você se assustou com o fato de ter feito muito sucesso logo no primeiro trabalho?
Nem eu nem a Globo imaginávamos a proporção que isso tomou. Fiquei assustado no princípio, mas foi passageiro, me habituei rápido. Nada que tenha me deixado traumatizado. Depois protagonizei ''Sonho Meu'' com a Patrícia França, repetindo o casal da novela, e já estava acostumado com o assédio. Essa época fez com que o público não se esquecesse de mim.
Cobraram muito a sua volta às novelas?
Sempre me perguntavam por que eu não fazia mais tevê e diziam que estavam com saudades de me ver em novela, essas coisas. Pelas cartas que recebo, percebo a satisfação das pessoas por eu ter voltado. Acho que foi bom ficar afastado para poderem sentir a minha falta.


