ENTREVISTA - Reflexos da vida
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de agosto de 2006
Mariana Trigo<br> TV Press 
Com quase 30 anos de carreira, Angélica esbanja diplomacia. Sempre preocupada com a repercussão de cada palavra que diz, a apresentadora evidencia toda a maturidade que conquistou ao longo de sua vida na tevê. Desde que foi eleita a criança mais bonita do Brasil no programa do Chacrinha, aos quatro anos de idade, a paulista de Santo André não parou mais. Passou a infância trabalhando como modelo e aos 12 virou apresentadora infantil na extinta Manchete. De lá migrou para o SBT até ser convidada a trabalhar na Globo há exatos dez anos. Durante toda essa década, Angélica sempre disse que queria um programa com ''sua cara'', que significava ter platéia, ''games'' e convidados. Chegou a apresentar vários programas na emissora, desde o ''Angel Mix'', em 1996. Mas só agora, com o ''Estrelas'', Angélica arrecadou uma produção mais madura, distante do público infantil e sem ser um quadro, como o ''Video Game'', do ''Video Show''.
Mas o ''Estrelas'', que vai ao ar no início das tardes de sábado, contraditoriamente tem poucos dos ingredientes que a apresentadora de 32 anos queria. Além de não ter ''games'', nem platéia, curiosamente enfoca o que as celebridades mais temem: a invasão de privacidade. ''Realmente não é fácil convencer os artistas a irem ao programa. Mas mostramos que queremos tirá-lo do pedestal em que vivem'', assume.
O ''Estrelas'' é um programa que entra na privacidade dos artistas, que constantemente se incomodam com essa invasão. Não é contraditório?
Nós mostramos apenas o que os artistas nos permitem exibir. Mas realmente temos uma dificuldade enorme em conseguir essas pautas. É normal as pessoas não quererem mostrar sua privacidade. Apesar de ter vários amigos no meio, é difícil convencê-los até porque não sou eu quem liga para as pessoas para marcar. Demoramos a convencer os entrevistados. A sorte é que tenho o carinho e o respeito de muita gente, de vários colegas. Mas minha maior preocupação é sempre fugir do estilo das revistas de fofocas. Não mostro quem se separou de quem. O engraçado é que as entrevistas que fizeram mais sucesso foram as que menos mostraram a intimidade das pessoas, as mais civilizadas.
Qual o critério que você utiliza ao sugerir as pautas, em selecionar quem deve ser entrevistado?
O importante é mostrar não só gente famosa, mas quem tem o que mostrar, o que falar e que seja exemplo de alguma coisa. Não consigo levar todas as pessoas que eu quero ao programa. Levamos desde pessoas que estão despontando na carreira até artistas já consagrados. Me sinto segura fazendo esse tipo de produção. Na verdade, hoje em dia, me sinto segura para apresentar qualquer tipo de programa, ainda mais nesse estilo, com artistas e celebridades. E agora minha faceta de ''apresentadora-repórter'' está sendo explorada de uma forma intimista com o ''Estrelas''.
Há anos você reivindica um programa na Globo. O ''Estrelas'' é o programa que você tanto queria ter?
O formato dele foi mudando muito. Minha cabeça também mudou de uns tempos para cá. Te garanto que hoje estou feliz com o programa. Eu estou acostumada a apresentar ''games'', produções com auditório, mas o ''Estrelas'' me faz muito feliz. Se daqui a seis meses eu perceber que já deu o que tinha de dar, vou pensar em outra coisa ou em outro formato. O programa que eu quero é aquele que me faz sentir à vontade, onde eu possa estar em contato com o público. Gosto muito também de platéia, de animar um espaço, trocar idéias com convidados. Sempre programas de entretenimento e inovadores. Eu me adapto com muita facilidade.
Em algum momento você se sentiu desperdiçada na Globo?
Não. Fiz muitas coisas na emissora. Acho que trabalho muito e sempre. Lá eles acreditam demais no meu trabalho. Me dão a oportunidade de aprender muito. Minha intenção é sempre fazer programas que tenham algum lado social, que contribuam na vida das pessoas.
Daqui a um ano e meio você completa 30 anos de carreira desde que foi lançada no programa do Chacrinha, aos quatro anos de idade. Que avaliação você faz da sua trajetória na tevê?
(pausa). Meu Deus, me assusta você falar em 30 anos de carreira! Mas é gratificante. Sempre tive altos e baixos. Outro dia estava conversando sobre a minha carreira com a Marieta Severo e cheguei à conclusão que sempre usei a intuição para tudo. Estreei como apresentadora de tevê aos 12 anos de idade e, de uma hora para outra, percebi que não fazia mais programas infantis. Tive muitas dúvidas de que caminho seguir na adolescência e passei por sofrimentos como todo profissional. Mas sempre soube que queria fazer tevê e vou fazer uma festa de comemoração nessa data de 30 anos (risos). Me sinto recomeçando todos os dias com a energia de uma menina.
Tanta energia se deve à maternidade?
Completamente! (risos). Foi uma injeção de hormônios absurda que me deu uma energia que eu nem esperava nesse último ano. Começou uma nova fase na minha vida. Estou com 32, mas com energia de 20. Não sei se foi a maternidade mesmo, com nascimento do Joaquim, mas passei por uma virada na minha vida. Esse momento balzaquiano me deu uma energia forte, mas com toda a maturidade da idade. Me sinto muito melhor agora do que com 20 anos. Estou me sentindo! (risos). Estou mais calma, menos ansiosa. Nem cheguei a ter a crise dos 30. Acho que nem tive tempo! São dois programas no ar!


