Londrina poderá contar com um dos mais prestiados e antológicos programa musicais brasileiros: a volta do Projeto Pixinguinha, cujo start será dado no dia 9 de junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio foi feito pelo presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Antônio Grassi, que esteve na cidade anteontem para o lançamento da Escola de Circo de Londrina, uma parceria firmada entre a instituição e a Secretaria Municipal de Cultura. Grassi, que assumiu o cargo há quase um ano e meio, adiantou que o Pixinguinha deverá tomar o palco de todas as capitais e também de 12 cidades, a partir de setembro quando acontece a primeira etapa do programa.
Esse não é o único programa que Antonio Grassi pretende implantar ainda neste ano as artes cênicas e visuais também serão abrangidas. Para tanto, a instituição vai trabalhar em 2004 com um orçamento de R$ 23 milhões. A seguir os principais trechos da entrevista com Antonio Grassi.
Você está praticamente há um ano e meio à frente da Funarte. Em que pé você pegou a presidência da instituição?
A Funarte, na verdade, é uma instituição muito importante do Ministério da Cultura é, inclusive, anterior à criação do MinC , mas é uma instituição que tem que ser construída. Na nova estrutura do Ministério tiramos o sombreamento, como chamamos, das secretarias temáticas de Brasília, tentamos trabalhar com relação a isso colocando as atividades da Funarte dentro da Funarte que são as artes cênicas, a música, as artes visuais...
Seria uma espécie de descentralização, é isso?
Trata-se de colocar nas áreas afins, no caso da Funarte, a situação específica daquele segmento. Então, por exemplo, todas as questões relativas às artes cênicas são tratadas pela Funarte. Esse trâmite ficou mais direto. Essa restruturação nós fizemos durante o ano passado inteiro e só agora estamos conseguindo complementar.
Muito se fala em política pública, mas é difícil agradar gregos e troianos. Qual seria, ao seu ver, um meio termo para se praticar uma política cultural pública?
Acho que o eixo central e básico para que a gente possa trabalhar nessa esfera é pensar a política pensando no público. Ou seja, no cidadão. A política não é feita para atender criadores e produtores culturais. Ela é feita para atender o cidadão. Portanto, nessa ótica você tem que trabalhar facilitando o acesso da população à produção cultural. Se você prioriza, por exemplo, o fomento ao ingresso, que facilite o acesso da população à produção cultural, de forma a proporcionar uma qualificação, aí sim, você estará fazendo uma política pública.
O Projeto Pixinguinha é um dos primeiros programas da atual gestão que está sendo reativado, é isso?
O projeto será lançado oficialmente dia 9 de junho. Na verdade não é um dos primeiros programas, talvez seja o que tenha mais visibilidade. Mas já lançamos um projeto de itinerância chamado Caravana Cultural para as artes cênicas.
O Projeto Pixinguinha vai agregar somente as capitais?
São as capitais e 12 cidades.
Londrina estaria incluída?
Nós vamos agora trabalhar o edital que abre para os artistas e vamos compor o roteiro. Esse roteiro implica uma contrapartida dos municípios. Londrina certamente está entre as cidades que vamos procurar para compor esse roteiro.
Que tipo de contrapartida é essa?
O governo federal entra com o cachê dos artistas, a circulação e a produção do projeto e os governos locais entram com estadia, alimentação e o local de apresentação. Obviamente Londrina estará participando do Pixinguinha, mas não sei em qual das etapas. A primeira acontece em setembro, outubro e novembro. Depois nós vamos trabalhar de março a novembro de 2005. E numa dessa etapas certamente Londrina estará incluída.
E nas outras áreas?
Nós pensamos num circuito regional das artes cênicas em que cada produção circula dentro da própria região. Às vezes um espetáculo feito em Recife está mais interessado em ir ao Ceará do que ir para o Rio e São Paulo. Esse projeto de circulação já foi lançado no Nordeste e, nos próximos dias, será no Norte e o no Brasil Central e, em seguida, vamos lançar no Sul e Sudeste. É a chamada Caravana Cultural. Nas artes visuais, estamos fazendo uma rede nacional de circulação de artistas, exposições e críticos de arte pelo Brasil são 180 artistas, e esse edital já foi lançado. Na música, além do Projeto Pixinguinha estamos criando a circulação de música de concerto, de música clássica que é outro segmento que precisamos atender.

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