Um dos expoentes da música instrumental brasileira desembarca hoje na cidade. J.T.Meirelles, 63 anos, é uma das principais atrações do ''Londrina Jazz Festival''. Ele se apresenta às 21 horas no Teatro Marista, acompanhado pelo grupo Os Copa 5.
Precursor do samba-jazz, o saxofonista e flautista carioca vive um momento de apogeu em sua carreira que soma mais de quatro décadas. Redescoberto recentemente pelas novas gerações, inclusive por DJs e produtores de música eletrônica, o artista gravou um novo álbum e teve dois de seus discos antigos relançados.
Na entrevista abaixo, ele falou de sua atual fase, dos descaminhos do passado e do estilo que ajudou a criar.
Qual a sua definição para o samba-jazz?
É o samba carioca instrumental com sotaque jazzístico, como poderia ser um sotaque latino, baiano, gaúcho ou pop. Cada um mistura com o que lhe convém. No meu caso, recebi influência do jazz americano. Hoje tenho mais bagagem. O improviso do jazz está presente, mas cada vez mais aprofundo a brasilidade no meu trabalho.
A que você atribui a sua redescoberta pela mídia?
Nos últimos quatro anos, as pessoas começaram a olhar para trás, a se interessar e dar importância ao tipo de música que fazíamos no passado. Passaram a perceber que os trabalhos daquela época tinham conteúdo, tinham preocupação com a arte e não com o consumo descartável de hoje em dia. Assim, começaram a reeditar os discos dos anos 60 revalorizando o samba-jazz, que é um rótulo inventado pela mídia e não pela gente. Eu, o Sérgio Santos, o Sérgio Mendes, o Edison Machado e outros apenas fazíamos música. Mas o rótulo ficou tão difundido, começaram a falar tanto de mim que resolvi assumir essa coisa de ser o 'rei do samba-jazz', assim como existe o rei da bossa nova e o rei da cocada preta.
Por que, nos anos 70, você abandonou a carreira de artista para se dedicar aos bastidores da indústria fonográfica?
Eu percebi, logo no começo, que não havia condições para viver de música instrumental no Brasil. Tinha 23, 24 anos. Era difícil. Achava que esse negócio não ia dar em nada. Passei a trabalhar como arranjador, produtor e músico de estúdio, sempre com a consciência de que não valia a pena desenvolver um trabalho autoral no País. Preferi interromper a carreira para mexer com informática. Não admitia usar a música como um hobby, tocando em barzinho para ganhar uma merreca. Minha atitude nunca foi essa.
Nos últimos anos, alguns expoentes de música eletrônica passaram a citá-lo em entrevistas como mestre do samba-jazz. Você já fez trabalhos com DJs e produtores dessa cena?
Recebi alguns convites desse pessoal para me apresentar em São Paulo e Rio de Janeiro. O B-Negão (ex-DJ do Planet Hemp), que é meu sobrinho, me apresentou alguns projetos. Mas não estou interessado em entrar nessa área, não quero fazer nada fora do meu terreno. Depois de 30 anos, em 45 anos de carreira profissional, estou podendo finalmente tocar um projeto meu. Não quero fazer nada diferente. Quero apresentar o meu trabalho, os meus discos e os meus shows para o público interessado. Pretendo viajar o Brasil e, talvez, depois sair para o exterior onde meus discos vendem bem.

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