ENTREVISTA - Pautado pelo humor
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domingo, 05 de setembro de 2004
André Bernardo<br> TV Press 
O âncora do ''Tudo a Ver'', Paulo Henrique Amorim, credita a uma certa ''tia do Grajaú'', bairro da Zona Norte do Rio, o seu estilo descomplicado de falar sobre temas aparentemente difíceis, como política e economia. Na adolescência, ele gostava de mostrar erudição ao comentar as principais manchetes do dia. Impaciente, tia Alpha logo o interrompia atrás de uma explicação mais sucinta para o aumento da inflação ou a queda dos juros: ''Sim, mas e daí?''. ''Nessas horas, eu tinha de baixar a bola e enfrentar a inevitável necessidade de ser claro. Ela era uma mulher muito ocupada, não podia ficar dando trela para aquele garoto metido a besta'', diverte-se.
Hoje, aos 60 anos, o sobrinho da tia Alpha atribui justamente a esse jeitão direto e bem-humorado o sucesso do vespertino ''Tudo a Ver'', da Record. Recentemente, o telejornal atingiu a segunda colocação no Ibope, com seis pontos de média e oito de pico. No ar das 17h30 às 18h30, o ''Tudo a Ver'' ganha ainda mais espaço a partir de 28 de setembro, quando passa a ocupar o horário atualmente dedicado ao policialesco ''Cidade Alerta'', comandado por Marcelo Rezende. ''Desde criança, aprendi a enfrentar as vicissitudes da vida com leveza e bom humor. Excetuando-se calor e falta de dinheiro, nada me tira do sério'', garante Paulo Henrique.
Recentemente, o ''Tudo a Ver'' chegou ao segundo lugar no Ibope, com seis pontos de média. A que você atribui esse sucesso?
Ao longo da carreira, fiz muitas coisas de que me orgulho. E outras tantas de que me arrependo... Mas posso dizer que me orgulho muito do meu atual trabalho. A Record me deu todas as condições para fazer um bom trabalho. E acho que estou conseguindo isso. A audiência, por exemplo, está dentro das expectativas da empresa. A proposta do programa é inovadora porque combina utilidade com bom humor. É um programa popular, sim, mas com excelente qualidade, bom acabamento e tecnologia de ponta.
Você não ficou receoso de estreá-lo num horário disputado por policialescos, como o ''Brasil Urgente'', da Band, e o ''Repórter Cidadão'', da Rede TV!?
É claro que sim. Por isso, admito que a decisão da Record foi muito ousada. Vamos e venhamos que também não é fácil sair de um programa com as características de um ''Cidade Alerta'' para entrar em um com o perfil do ''Tudo a Ver''. Mas o resultado, como já falei, tem sido bom. E tenho a impressão de que ele só tem a melhorar. Na verdade, não vejo quem não possa gostar do ''Tudo a Ver''. Qual é a pessoa de bom senso que não quer ver a Ana Hickmann? Ou o Eduardo Guedes? Ou, então, se informar sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo?
Nos últimos anos, você só apresentou telejornais noturnos, como o ''Conversa Afiada'' e o ''Edição de Notícias''. O que muda no horário vespertino?
Absolutamente nada. E por um motivo simples: sempre vi televisão como instrumento de entretenimento. Ninguém liga a tevê para se chatear! Liga para se informar e se entreter... Não acho que o jornalismo perca algo se vier embalado como um produto de entretenimento. Durante anos, o público se acostumou a ver o ''Jornal Nacional'', da Globo, com um sorriso nos lábios. O ''JN'', é bom que se diga, sempre terminava para cima, com uma nota mais alegre, bem-humorada... O ''JN'' perdeu isso, mas eu não.
Em outubro, você completa dois anos de Record. Que balanço faz desse período?
Muito positivo. Na verdade, sinto-me prestigiado na emissora. Fui chamado para apresentar um quadro de economia no ''Jornal da Record - 2 Edição'' e, dois anos depois, apresento um programa de uma hora e meia num horário de excelente receita publicitária. Posso concluir que a emissora esteja feliz comigo e eu, com ela.
Partiu de você a idéia de convidar a Ana Hickmann para participar do ''Tudo a Ver''. Como ela está se saindo?
Pelo pouco que a conheço, ela já se mostrou uma profissional fantástica. Além de disciplinada e obediente, a Ana é sempre a primeira a chegar e a última a sair. De diva, ela não tem nada.


