Em 2004, André D'Biase entra no seu quarto ano de participação em ''Malhação''. ''Gosto muito de trabalhar com esses garotos'', comemora o intérprete de Vinícius, o dono da república onde moram vários personagens do folheteen. Quando surgiu na história, em meados do ano 2000, Vinícius representava o resgate da carreira desse capixaba de 47 anos. No início dos anos 90, depois de 15 anos de trabalho no cinema e na tevê, André resolveu abandonar a área artística. Após sete anos como empresário no setor de telefonia celular, refletiu sobre a vida e concluiu que nasceu mesmo para ser artista. ''Nunca mais vou sair dessa área. Gosto de escrever, atuar, e isso me faz feliz'', sintetiza.
A trajetória artística começou quando o cineasta Luiz Carlos Lacerda chamou André para viver o protagonista do filme ''Nos Embalos de Ipanema'', em 1977. O ator criou uma relação de amizade com o autor Antônio Calmon, fez outros filmes e as portas da tevê se abriram. ''Me infiltrei na tevê por causa do cinema e comecei no cinema por acaso'', relembra.
A partir daí, o então novato André de Biase o D'Biase veio recentemente, graças à numerologia começou a fazer novelas na Band. Em seguida, migrou para a Globo e fez mais alguns folhetins. Em 82, junto com o irmão, escreveu o argumento do filme ''Menino do Rio''. De 1985 a 1988, estrelou, junto com Kadu Moliterno, o seriado ''Armação Ilimitada''. Em 1989, o seriado ''Juba & Lula'' ainda tentou resgatar o sucesso de ''Armação Ilimitada'', sem êxito. Com o final de ''Juba & Lula'', a falta de estabilidade financeira como ator levou ao ''auto-exílio'' nas telecomunicações. ''Me agarrei ao lado empresarial'', explica.
Depois de tanto tempo fora da vida artística, você voltou novamente numa produção focada no público infanto-juvenil. O que pensa sobre isso?
Meus personagens foram muito marcantes e renderam mais do que o esperado. O público jovem sempre se identificou com eles e isso é muito gratificante para o ator. Depois de um currículo com filmes e novelas, eu e o Kadu Moliterno criamos o projeto do ''Armação Ilimitada'', que era voltado para o jovem. O programa foi muito bem aceito e ficamos mais de três anos no ar atuando no ''Armação Ilimitada'' e no ''Juba & Lula''. Agora estou entrando no meu quarto ano de ''Malhação'' e adoro esse trabalho. Lidar com jovens é especial.
Como é ser um dos poucos adultos no elenco predominantemente jovem de ''Malhação''?
Contracenar com jovens é bem diferente, mas me adapto bem. Sempre que posso dou dicas e conto minhas experiências para ajudá-los. A falta de maturidade e a pouca experiência deles dá um pouco mais de trabalho. Eles conversam e brincam muito nos bastidores e se desconcentram. São muito ansiosos e têm mirabolantes perspectivas de vida. Pensam várias coisas ao mesmo tempo e isso embola a cabeça deles. A mistura da inexperiência com a ansiedade é muito engraçada. Não que sejam maus atores, pelo contrário, alguns saem de ''Malhação'' muito bem estruturados profissionalmente.
Qual o motivo real de se distanciar por tanto tempo da tevê?
Virei empresário na área de telefonia celular, na época da expansão. Até porque a vida de ator tem seus altos e baixos e eu queria estabilidade financeira. Quando o programa ''Juba & Lula'' acabou, resolvi parar. Esqueci completamente a vida artística por uns sete anos. Virei uma pessoa comum. Foi um bom momento. Mas, com o tempo, pensei melhor e o artista que existe em mim falou mais alto. Agora tenho certeza do que quero e não pretendo largar. Tenho tempo de ler, de fazer teatro e tevê. A minha qualidade de vida é muito boa. Estou muito satisfeito.
Como está sendo lidar novamente com o assédio do público jovem?
Precisamos ter maturidade para encarar essa dificuldade. Penso que a tendência é piorar, principalmente em se tratando do público infanto-juvenil. Com a inserção da mídia eletrônica, o jornalismo se desenvolveu e somos o alvo direto desse crescimento. A tevê é muito vendida e o ator fica cada vez mais exposto.
Além do Vinícius de ''Malhação'', quais seus outros projetos?
Estou lendo três textos de teatro. Pretendo fazer cinema, até porque foi onde eu comecei, mas ainda não tenho nada em vista. Também tenho um projeto social que é mobilizar os jovens para a área de defesa do meio ambiente, de direitos humanos. Será algo parecido com uma ''ong'' eletrônica, que será vinculada a um programa de tevê.

mockup