ENTREVISTA - O novo sex symbol da TV
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de junho de 2003
André Bernardo<br> TV Press 
Com Paulo Coronato, não há meias palavras. A sinceridade do ator que interpreta o taxista Caetano, de ''Mulheres Apaixonadas'', é desconcertante. Aos 40 anos, ele admite que já teve a sua fase ''Caetano'', quando saía com três mulheres ao mesmo tempo. Em seguida, faz questão de livrar a cara do personagem, definindo ele como um ''cafajeste do Bem''. Por fim, garante, com a cara mais lavada do mundo, que adoraria que o Caetano terminasse a novela não com uma ou com duas, mas com as três mesmo... ''Gostaria que ele vivesse em paz com as três mulheres. Que homem, aliás, não gostaria?'', indaga, com cínica franqueza.
Longe da ficção, Paulo Coronato jura fidelidade à atriz Flávia Garrafa, com quem namora há quase um ano. A moça só não gosta muito quando sai com ele e ouve piadinhas desagradáveis, do tipo ''E aí, Caetano, já arranjou mais uma?'' ou ''Puxa vida, companheiro, libera uma para mim...''. Desde que começou a arrebatar corações em ''Mulheres Apaixonadas'', Paulo não consegue mesmo andar nas ruas sem sofrer assédio do público feminino, que desfila os mais infames gracejos como ''Você engata uma quarta?'' ou ''Tem lugar no seu carro?''. ''Sempre tenho... É só esperar o táxi ficar livre...'', responde, brincalhão.
que você acha de interpretar um personagem mais mulherengo que o do José Mayer?
Quando eu recebi o convite para fazer o Caetano, logo vi que o personagem tinha potencial. Mas novela você nunca sabe, não é mesmo? Dá tanta volta... O personagem do Zé pega uma de cada vez. Já o meu pega todas ao mesmo tempo. Quando li a sinopse, sabia apenas que ele era um taxista casado que, a certa altura, tinha um envolvimento com a personagem da Natália do Valle. O público gosta muito do núcleo do Caetano e da Sílvia porque a sacanagem rola solta. Isso sempre dá um tempero especial, não é mesmo?
Mas como você definiria o Caetano? Ele é o que se pode chamar de ''cafajeste''?
Não. Se quiser, podemos chamá-lo de ''cafajeste do Bem''. Ele é mulherengo, mente para as mulheres, mas não chega a ser um gigolô ou um malandro. Ele é apenas incapaz fisiologicamente de ser fiel. O sujeito não segura o tesão. Mas, no fundo, ele não usa as mulheres. Veja bem, todas elas são muito felizes... As três andam com um sorriso de orelha a orelha. Acontece que ele só pensa em sexo. O que se há de fazer, não é mesmo?
É verdade que você já teve a sua fase ''Caetano''?
Já. Todo mundo já teve, não é verdade? Na época, eu devia ter uns 30 e poucos anos... Tinha acabado de tirar o meu registro profissional e começava a dar os primeiros passos na carreira de ator. Inventava uma história aqui, outra ali... Aproveitei bem essa fase. Vivi algumas situações bem parecidas com as do Caetano.
Você tem recebido muitas cantadas de mulheres mais velhas nas ruas?
Ah, demais! Mas, geralmente, na faixa dos 25 aos 40 anos. Já recebi até cantada de mulher de 50 e tantos anos. A mulherada mexe muito comigo. Todas elas fazem as mesmas brincadeiras: ''E aí, tá livre para uma corrida?'' e coisas do gênero. Nada muito original. Até torpedinho, eu já recebi. Dá para acreditar?
P - Como você se sente ao fazer sucesso depois dos 40?
R - Devo confessar que a sensação é muito boa. Cheguei a entrar em crise antes dos 40. Mas, depois que você completa, fica mais tranquilo. Você já sabe como as coisas funcionam. Já não se deslumbra mais com tanta facilidade. Quando você faz sucesso aos 20, por exemplo, corre o risco de acreditar em tudo que as pessoas falam. Quando isso acontece, você está perdido...


