Qual foi a maior lição que a senhora já teve na vida? E a que caminhos isto a levou?
Refletindo bem, diria que não é possível lhe falar de só uma, mas, talvez, de duas maiores lições. A primeira é que quando a vida lhe dá muito um marido excepcional, um filho maravilhoso, a fortuna, por exemplo ela sempre acaba tirando muito, para não dizer tudo. Jovem, eu era uma mulher bonita, cortejada, invejada. Era também egoísta, só pensava no meu pequeno mundo privilegiado. Subitamente, um estúpido acidente de carro me roubou meu filho de 26 anos. Ele era o que eu tinha de mais precioso... Depois, o meu primeiro marido ficou doente. Cuidei dele por mais de 20 anos. Aprendi a lição: pensar em dividir com os outros, os que não têm.
Hoje, não penso só em meu pequeno mundo familiar. Adoro os meus netos, o meu filho João Batista, o qual salvou a minha vida. Nunca vou voltar àquela vida egoísta e estéril. A segunda lição é de esperança: o amor pode bater à sua porta a qualquer momento da vida. Nunca renunciar, nunca abdicar. O amor não tem idade; ele não é propriedade unicamente da juventude. O que importa é o espírito de juventude, isto sim... Não existe uma aposentadoria para os sentimentos e os desejos. Nunca esquecer isto.
O que a senhora pretendia quando começou a escrever essa obra?
Não diria por inadvertência, mas quase... Depois da morte do Roberto, abri as gavetas onde ficam bem guardados os álbuns de fotos. Nossa vida em milhares de pequenas imagens...Olhei, olhei muito. A razão, talvez, porque há algumas dessas fotos no livro. Me deu vontade de contar nossas vidas para revelar nossos 14 anos de felicidade. Pouco a pouco, pensei em dividir com os leitores a prova de que o amor nunca pensa em se aposentar. Foi, para mim, uma modesta homenagem a meu caro Roberto.
Que conselhos daria para mulheres que, como a senhora, têm que viver ao
lado de homens extremamente poderosos? Existe uma fórmula?
Nunca casar por interesse. Este é o erro fatal. Vi, durante uma vida muito longa, tantos casais que não poderiam ser felizes por causa do interesse pelo dinheiro e, não, pelo marido ou pela mulher. O segundo conselho seria de nunca cair no deslumbramento. Seria também fatal! Ficar humilde e ''pé-no- chão'', mas também é indispensável fazer todos os esforços para entender a sua nova realidade. Precisa aprender, aprender muito, com discrição e carinho. Não se deve tentar substituir o outro, mas ficar no lugar certo perto dele.
E daqui para frente quais são seus planos? A literatura está entre eles?
Não sou escritora. Este livro é uma prova de amor, um testemunho, mas nunca pretendi ser escritora. Pretendo difundir até o fim da minha vida a memória do Roberto. Pretendo, também modestamente, continuar, como fizemos juntos, a promover projetos artísticos e educacionais. O ano que vem é o ano do Brasil na França, país da minha mãe. Pretendo ajudar do meu jeito, como eu puder...

Serviço:
- Lançamento com noite de autógrafos de ''Roberto & Lily'', hoje, às 19 horas, no Castelo do Batel (Avenida Batel, 1323)

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