ENTREVISTA - No limite do saber
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de dezembro de 2004
André Bernardo<br> TV Press 
Márcio Garcia se diz um profissional movido a desafios. O primeiro deles, recorda, aconteceu em 1994, quando apresentou um programa de esportes radicais na MTV. Nele, o também ator pulava de ''bungee jump'', saltava de pára-quedas e mergulhava com tubarões. ''Minha mãe rezou tanto que, um dia, parei com isso'', brinca. Dez anos depois, ele encara outro desafio profissional: apresentar um reality-show na Record. Márcio garante que o ''Sem Saída'' difere dos outros representantes do gênero por ser uma autêntica aula de conhecimentos gerais. ''Outro dia, fiquei sabendo que o barulho que a hiena produz é ulular. Nunca tinha ouvido falar disso!'', espanta-se.
Para assumir o comando do ''Sem Saída'', porém, Márcio teve de abrir mão de muitas coisas. De sua casa no Rio, do futevôlei na praia, dos cachorros... ''Ainda moro no Rio. Ou melhor: eu acho que moro. Afinal, fico em São Paulo de segunda a sábado'', graceja ele. Brincadeiras à parte, o ator não se arrepende do que fez. Muito pelo contrário. Ele se orgulha de ter saído da Globo, onde trabalhou por dez anos, depois de um trabalho de sucesso como o michê Marcos de ''Celebridade''. Na nova emissora, inclusive, ele já está cotado para atuar em uma de suas próximas novelas. ''Se pintar um personagem bacana numa novela bacana, eu penso no assunto'', promete.
Que balanço você faz da primeira temporada do ''Sem Saída''?
O 'Sem Saída' é um conceito novo de reality-show. Não é voyeurismo, pura e simplesmente. O conceito do programa é o que mais me atraiu. A gente ensina coisas que todo mundo aprendeu na escola, mas esqueceu algum dia. Por isso mesmo, o 'Sem Saída' é o tipo de reality-show que as pessoas não precisam ter ergonha de assistir. Conheço um monte de gente que vê reality-show escondido, é mole? Quando liga a televisão, tranca a porta do quarto...
Em algum momento, você se arrependeu de ter trocado a Globo pela Record?
De jeito nenhum. Eu já estava na Globo há dez anos, era hora mesmo de mudar. O Marcos, de 'Celebridade', foi um personagem bacana e, igual a ele, eu tenho certeza, virão outros. Mas eu gosto de dar valor ao presente. O que passou, passou; virou história. Adorei a novela, o personagem foi dez, tudo que o Gilberto Braga faz é sucesso, mas vou tocar a minha vida normalmente...
Mas você tem alguma predileção entre atuar e apresentar?
A responsabilidade maior, sem dúvida, é apresentar. Ali, você não pode se calçar ou se esconder em nenhum personagem. Você tem é de imprimir uma marca pessoal ao que está fazendo. Mas, ao mesmo tempo, atuar é bacana porque você pode interpretar os mais diferentes tipos. E, nesse caso, quanto mais diferente, mais divertido fica. Na verdade, não fico atrás de um personagem 'x' ou 'y' nem de fazer um programa assim ou assado. Eu quero, sim, é ser feliz naquilo que estou fazendo no momento.
Das muitas ''pérolas'' ditas no ''Sem Saída'', qual delas é a sua favorita?
Ah, sai cada ''pérola'' no programa... Cada noite, aliás, é uma nova. Outro dia mesmo, uma menina disse que a capital do Japão é a Coréia. Já outra falou que H20 era um tipo sanguíneo. Aí, não aguentei: 'Tá bom, tá bom, não precisa nem citar os outros...'. E eu aposto como ela sabia! Acontece que ela estava completamente em transe. Mais adiante, outra participante respondeu que o estado sólido da água é... líquido. Tem de rir. Vou fazer o quê? Mas também não posso rir muito senão eu deixo eles sem graça...
O que você pretende fazer depois do ''Sem Saída''? Gostaria de voltar a fazer novelas?
A minha carreira de ator vai ser retomada, sim, mas não por enquanto... Depois que terminar o ''Sem Saída'', eu devo emplacar um programa semanal. Mas isso é mais para frente. Tudo o que eu disser agora vai ser prematuro. O importante é que a Record está acreditando em mim e eu nela.


