ENTREVISTA - Missão possível
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de junho de 2006
Luiz Almeida<br> TV Press 
Esquecido no fundo de uma gaveta, o diretor Wolf Maya tem um diploma de médico com seu nome gravado. Já são 30 anos desde a formatura, mas ele não excerceu a profissão um dia sequer. Antes disso, foi seduzido pelo drama. A princípio no teatro e depois na tevê. Mas esse passado certamente influencia sua forma de olhar o mundo. Prova disso é maneira que se referiu ao horário que ''Cobras & Lagartos'', sua atual novela, herdou da malfadada ''Bang Bang'': ''Entramos num horário muito 'doente' e tínhamos o compromisso de não errar. Acho que estamos no caminho certo'', diz Wolf. Os números concordam. Com pouco mais de um mês desde a estréia, a novela registra média de 34 pontos. Audiência que coloca a novela no trilho de Ibope exigido pela Globo.
A tarefa de recuperar a audiência não chegou a assustar o veterano Wolf Maya. Afinal, ele tem no currículo a direção de 22 novelas e três minisséries. No caso de ''Cobras & Lagartos'', ele acha que os bons resultados se devem a dois fatores. O primeiro é o texto bem-amarrado do autor João Emanuel Carneiro, que tem boas histórias e uma narrativa ágil. O outro fator é a própria direção, dinâmica e rápida. ''Até o momento, por incrível que pareça, todos os núcleos estão funcionando muito bem'', destaca.
''Cobras & Lagartos'' recebeu da antecessora ''Bang Bang'' uma audiência inferior a 29 pontos e, em pouco mais de um mês, conseguiu elevar o ibope para 34 pontos de média. A que você atribui este resultado?
Acredito que o resultado é em função do texto do João Emanuel Carneiro, que é bem moderno e atual. A discussão do assunto grana e poder, além dos ingredientes folhetinescos, tornam as histórias interessantes para o público. Junto com isso, passei a usar uma ou duas câmaras, em vez de três ou quatro. Isso dá mais velocidade na direção e na edição. Além disso, uso muito a visão subjetiva. Nas cenas na Saara, por exemplo, costumo acompanhar a visão do Foguinho. A câmara olha para onde ele olha. Esses fatores se traduzem em números satisfatórios. Conseguimos aumentar bem a audiência. Mas, de início, não entramos muito com essa preocupação de resgatar a audiência. Queríamos mesmo era contar uma boa história e tínhamos, sim, o compromisso de não errar, é claro. Já entrei mais preocupado com a audiência em outros horários, apesar de nunca ter entrado num horário que estava tão ''doente'' como o das sete e que, ao mesmo tempo, está muito ''fatiado''. Temos a concorrência de ''Prova de Amor'', da Record, e teremos ''Cristal'', próxima novela do SBT.
Você acompanha diariamente os números de audiência enquanto a novela está sendo exibida?
No início, sim. Mas o Ibope não me invade a cabeça enquanto estou fazendo, enquanto estou dirigindo. Depois, quando a novela está sendo exibida, quero saber como ela está sendo ''usada'' pelo público. Acho importantíssima essa convivência com o resultado, ficar ligado ao que está rendendo mais e o que não está. Novela é um jogo diário e isso é um dos fatores mais excitantes da tevê. Acredito mesmo que é uma obra aberta, é quase um improviso, um bate-bola conjunto e constante, que a gente vai vendo o que vai funcionando ou não.
E o que você avalia que vem funcionando bem em ''Cobras & Lagartos''?
O melhor de tudo, até o momento, e, por incrível que pareça, é que não encontramos nenhum ponto de fragilidade nos diversos núcleos da novela. Acredito que ''Cobras & Lagartos'' tem sido um sucesso integral. O núcleo da Luxus é tão visto e desperta tanta curiosidade quanto o da Saara. Numa novela, pode acontecer de um determinado núcleo não funcionar, mas isso não vem ocorrendo com a trama de ''Cobras & Lagartos'', o que é ótimo.


