ENTREVISTA - Marcado para sempre
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Gabriela Germano<br> TV Press 
Heitor Martinez não pára de ser cumprimentado nas ruas. Apesar de encarnar o bandido mais temido de ''Vidas Opostas'', da Record, o seu personagem Jacson só causa temor na fictícia Comunidade do Torto. O ator conquistou de vez a fama e o carisma do público. ''Nunca fui tão assediado. Apesar do personagem ser um vilãozão, as pessoas mostram admiração e me abordam de maneira animada'', revela o ator. O sucesso aconteceu, inclusive, entre as crianças. Heitor se surpreendeu com a abordagem delas em determinados momentos. ''Houve um dia em que umas 10 crianças, na faixa dos sete anos, me cercaram dizendo que eram do bando do Jacson. Foi impressionante'', conta.
Essa repercussão já faz de Jacson um personagem inesquecível na carreira de Heitor. Perto do fim das gravações do folhetim, ele diz que a primeira coisa que vai fazer para se despir do traficante é tirar a barba e deixar o cabelo crescer. Mesmo assim, as marcas do bandido não serão apagadas. ''A agressividade e a violência contida no Jacson não vão me deixar nunca. Essa figura vai ficar marcada para sempre em mim'', afirma.
O resultado e a repercussão do trabalho compensam todo esse desgaste?
Sem dúvida. No caso de uma novela, foi a maior resposta de público que já recebi em um trabalho. Quando fiz o filme ''Como Ser Solteiro'', também rolou uma ótima repercussão. Foi, no entanto, um retorno mais localizado no Rio de Janeiro e mais restrito também porque não podemos comparar o público de cinema com o público da televisão. Com as classes C, D e E, então, foi fenomenal. Com motoristas, pessoas que trabalham em obra e comerciantes de rua, eu falava ''e aí?'', ''oi'' e ''valeu'' o tempo inteiro. Quando paro no sinal de trânsito, sempre vem um vendedor: ''Pô Jacson, me dá uma forcinha''. Não tenho nem como me esconder porque o visual é bem marcante.
Não fizeram confusão entre ator e personagem? Você enfrentou alguma situação negativa nas ruas?
A resposta deveria ter sido medo, mas foi só admiração. As pessoas não fizeram confusão entre ator e personagem porque o Jacson é um vilãozão que mata todo mundo e mesmo assim todos vinham falar comigo de uma maneira super animada. Ouvi muita gente dizer que me conhecia de outras novelas, mas em ''Vidas Opostas'' eu tinha me sobressaído. Com as crianças, então, foi impressionante e até meio assustador. Na faixa etária até os 10 anos, rola uma admiração enorme. Outro dia passei pela saída de uma escola pública e umas dez crianças começaram a me seguir. Elas diziam: ''Eu sou o Mofado, eu sou o Pé-de-Pato, eu sou o Torres, somos do bando do Jacson''. Todas me rodiavam e fiquei surpreso com aquilo.
Você tem duas filhas de quatro anos, Helena e Alice. Elas assistem à novela?
Para falar a verdade, tentei evitar que elas vissem no início. Mas, depois de um tempo, elas já estavam com o discurso na ponta da língua: só podiam ver junto comigo. Porque antes a babá deixava mas sempre tinha algumas cenas mais violentas que eu não queria que as duas acompanhassem por serem muito novas. Expliquei e elas entenderam tudo. Hoje as duas já me perguntam: ''posso ver papai?''. Às vezes respondo que não e pronto. O que elas tinham era muita vontade de conhecer a Joana e o Miguel, personagens da Maitê Piragibe e do Léo Rosa. Levei as duas em uma gravação e ficaram encantadas. Foi uma festa.
Depois de nove meses de trabalho, você fala do Jacson com muita satisfação. Vai ser difícil se desligar do personagem?
Acho que o Jacson vai ficar marcado para sempre. A primeira coisa que vou fazer com o fim das gravações é tirar a barba. Ela foi fundamental para marcar o personagem, para dar o ar agressivo ao Jacson, pois ninguém tinha me visto assim antes. Foi interessante mudar de cara. Mas mesmo que eu tire a barba e deixe o cabelo crescer, a agressividade e a violência explosiva contidas nele não vão me deixar nunca. Vou me lembrar e carregar sempre essa figura.


