Curitiba - Falar sobre Lily Marinho é o mesmo que tecer um comentário sobre um personagem de um filme hollywoodiano. Nascida na Alemanha, filha de mãe francesa e pai inglês, a jovem desembarcou no Brasil em 1939 para casar com seu primeiro marido, o jornalista Horácio de Carvalho, com quem viveu 45 anos e teve dois filhos. Mas essa é só a primeira parte da vida de alguém que acredita que o amor não se aposenta e crê que a vida dos que foram beneficiados com riqueza e glamour tem lá suas agruras.
Bem, Lily já na maturidade encontrou o amor de um dos homens mais poderosos da história da comunicação brasileira: Roberto Marinho. Foram só 14 anos de matrimônio, interrompidos pela morte dele em 2003. Ao experimentar a viuvez pela segunda vez, esta mulher resolveu abrir sua caixinha de Pandora e contar como foram os anos de amor e intimidade que viveu ao lado do dono da Rede Globo.
Foi então que escreveu ''Roberto & Lily'' uma obra de 320 páginas onde conta sobre sua história de vida. No livro, há muito mais do que relatos de uma mulher sofisticada que viveu em altas rodas durante quase toda sua vida. Nele, encontra-se uma grande dama que aprendeu a valorizar mais a intimidade de pequenas coisas e que, agora, dá a oportunidade ao Brasil de conhecê-la melhor.
Para falar sobre essa experiência de escrever sobre a vida que levou com Roberto Marinho, Dona Lily respondeu por e-mail a algumas perguntas da Folha, antes da noite de autógrafos que concede hoje, às 19 horas, no Castelo do Batel, em Curitiba. Detalhe: ela respondeu à mão e em francês, um hábito peculiar mantido graças à equipe que a acompanha. Lily responde e passa à tradutora que por sua vez encaminha à assessoria de imprensa para que o material chegue impecável ao entrevistador. Chique. Acompanhe:
Como a senhora vivencia este momento em que relembra coisas boas vividas no passado, mas, também, enfrenta a fase de viver uma nova vida sem o dr. Roberto Marinho?
A nossa casa ficou como Roberto a deixou. Não mudei nada, não tirei nada. O meu marido encontraria o seu quarto, a sala de banho, o seu closet intactos. É talvez difícil de entender, mas eu ainda vivo com ele. Não quis pensar em uma nova vida, só quero prolongar, depois de 14 anos de felicidade, a nossa vida.
O que mais fica de tudo isso, ou seja, desses anos todos de glamour e amor?
Ficam milhares de lembranças de pequenos momentos, os quais podem parecer insignificantes para muitos, mas são importantíssimos para mim: gestos de ternura, caminhadas no jardim do Cosme Velho, uma sessão de cinema só para nós dois na casa do Alto da Boa Vista, um sorriso, a sua mão na minha, ouvindo o Roberto me contando com carinho uma história... Não tenho saudade dos grandes momentos...Um jantar que oferecemos, por exemplo, para a rainha da Dinamarca ou para um ministro francês... Não, o que me importa são os nossos momentos de intimidade.
A entrevista continua na página 2.

mockup