Você seria capaz de escrever um livro desprovido de humor?
Sim, seria. Talvez o próximo romance tenha bem mais drama que humor. Na tevê, a série que escrevi com Marcus Aurelius Pimenta para a HBO (''FDP'', sobre a vida de um juiz de futebol, a ser exibida em 2012) já não é uma comédia, e sim um drama com pitadas de humor. E o último roteiro que escrevi para o cinema (''O contador de histórias'', dirigido por Luiz Villaça) era um daqueles dramas em que os espectadores choram no final.

Você escreveu vários livros em parceria com Marcus Aurelius incluindo o último, ''O Evangelho de Barrabás''. A co-autoria de obras de ficção não é uma experiência muito disseminada no Brasil. Fale um pouco sobre esse processo de criação.
Pois é, já fizemos uns dez livros em parceria. E também vários roteiros e umas duas ou três peças de teatro. No cinema isso já é permitido, mas na literatura é visto como um pecado. Creio que ainda se tem uma imagem romântica do autor, que seria um ser isolado do mundo, que escreve com seu próprio sangue em vez de tinta. Acho que é um preconceito meio tolo. O que importa é a obra, é o livro. Se foi escrito por um homem, por uma mulher, por um negro, por um albino, por um soli tário, por uma dupla ou por 68 pessoas, não importa. O que importa é o resultado final. Mas creio que a imprensa (e talvez também a crítica) precisa criar um personagem, um autor interessante sobre o qual falar.

E como é o processo de criação em dupla?
Funciona mais ou menos assim: lemos bastante sobre o assunto, depois fazemos uma grande escaleta, um esqueleto da obra, e aí um escreve tudo. Depois outro reescreve tudo. Então o primeiro rerrescreve. E o segundo rerrerrescreve. Ficamos assim até que cheguemos a um bom resultado. Aí sentamos frente a frente e fazemos versões conjuntas até ficarmos satisfeitos.

Hoje em dia discute-se muito sobre a influência da internet para o aumento ou para a diminuição de leitores de livros. Voce é integrado ou apocalíptico nessa questão?
Um apocalíptico com esperança de integrado. Apocalíptico porque acho que a internet realmente rouba um tanto da atenção que o livro receberia. Por outro lado, se o livro se adaptar à internet, podemos dar um salto gigantesco, e ler um romance pode deixar de ser uma atividade elitista e se tornar algo quase tão comum quanto ver um longa-me tragem no computador. Mas o passo tem que ser dado pela literatura. É ela quem está ficando para trás.

Tem algum projeto engatilhado para este ano seja em literatura, cinema, televisão ou teatro?
Em televisão há uma série que começou estes dias na TV Cultura. Chama-se ''Somos 1 só''. É uma série de oito quase-documentários (digo quase porque há uma mistura de ficção, falsas entrevistas, depoimentos verdadeiros e animações). Para o teatro estou escrevendo uma peça chamada ''Carlos e Frederico'', que conta a história da amizade entre Karl Marx e Friedrich Engels. E estou lendo para escrever um romance sobre os bandeirantes.

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