Vamos a algumas questões que são apontadas pela CEI como irregularidades e divulgadas na imprensa sem que sejam muito esclarecidas. Primeiro: a questão de investimento em prédios particulares. Que imóveis são esses?
Não existe isso. É apoio à abertura e manutenção de espaços culturais. Londrina não tem muitos teatros. Se alguém vem aqui e diz que quer alugar um barracão para desenvolver oficinas, incentivamos o projeto. Ou seja, é feito um projeto para o Promic e o Conselho de Cultura entende que isso é relevante. Uma das nossas práticas culturais é ampliar os espaços.
Outro ponto: gasto com cachês, como aponta o relatório da CEI, é ilegal?
É totalmente legal. O que a CEI está querendo dizer é que fazíamos contratação irregular. Não estamos contratando ninguém, estamos financiando projetos. Agora, é extremamente normal, legal o pagamento de cachês porque ninguém trabalha de graça. As pessoas recebem para trabalhar.
Gastos com refeição, pode?
Claro que pode. É um ítem do projeto. Você quer montar um festival e precisa de transporte, alimentação, hospedagem.
Vamos deixar isso bem claro.
O Pierre Weil veio aqui dar um seminário na Semana da Paz, recebeu o cachê, alimentação e transporte. Nesse caso, como ele é naturalista e não tinha um lugar em Londrina em que pudesse comer nos horários em que fazia as refeições, o grupo que o trouxe foi ao mercado, comprou ingredientes e fez a comida. É simples. Não houve nenhuma ilegalidade. Tudo isso está de acordo com um regulamento. Toda comissão tem um regulamento que diz o que pode e o que não pode. Até o momento, não tem nada levantado em que haja ilegalidade. Se querem mandar para o Ministério Público, que o Ministério faça suas apurações e se tiver alguma ilegalidade vamos responsabilizar pessoas.
O senhor teme pelo futuro do Promic?
Na Conferência de Cultura (realizada em setembro), o prefeito Nedson Micheleti foi ovacionado pela comunidade ao dizer que ninguém iria conseguir desestabilizar o nosso modelo de incentivo cultura. Ele garantiu com todas as letras a continuidade.
Na possibilidade de mudança de administração, o senhor acredita em mudanças no rumo do Promic?
Depende de quem estiver no poder... Se o (Antônio) Belinati voltar para a prefeitura, ele acaba com o Programa no dia seguinte. Ele não gosta de trabalhar com a sociedade. Já foi demonstrado na administração dele, tanto que o Conselho de Cultura foi extinto. A Lei de Incentivo resolvia tudo. Não havia nem investimento, além de R$ 1,5 milhão da Lei de Incentivo. Nós elevamos para R$ 3,5 milhões diretos em projetos incentivados. Criamos a Incubadora de Projetos para orientar o maior número possível de pessoas a fazer projetos. Hoje, por exemplo, a Rede da Cidadania tem uma demanda comunitária. Recebemos líderes todas as semanas pedindo atividades de dança, capoeira, teatro, etc. Organizamos o carnaval que estava estraçalhado, festas populares. (...) Trouxemos, enfim, a lei de incentivo cultural para o orçamento da prefeitura, do jeito que estava era muito mais sujeito a fraudes.
E tudo pode terminar no Ministério Público...
O Ministério Público hoje é um agente permanente na vida da administração. Em nenhum momento me preocupou o fato de a questão ir parar no Ministério Público porque estamos lidando com um formato novo de investimento.
A imprensa deu um bom tratamento ao andamento da CEI?
A imprensa no geral, não só a de Londrina, está vivendo a era do escândalo. Qualquer pessoa chega com um dossiê e aquilo vira denúncia. Em Londrina, quase não se viu repórteres investigando nada, só transmitindo recados. Todas as vezes em que fomos procurados pela imprensa, respondemos. Do ponto de vista de ouvir as partes, já fomos procurados como suspeitos e não para esclarecer.
O senhor continua na Secretaria da Cultura até o final da gestão ou deve sair antes para assessorar a campanha de reeleição do prefeito Nedson?
É uma questão que não foi colocada porque o prefeito não quer antecipar o debate eleitoral. Ele (Nedson) diz que tem muita coisa a fazer pela cidade e está resistindo heroicamente às pressões para adiantar o processo. Eu estou à disposição para ficar até o final do mandato porque esse trabalho é muito lindo, faz bem cidade e fará, a médio e longo prazo, Londrina transformar-se numa metrópole cultural.

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