O autor Cláudio Paiva bem que poderia ser considerado o sétimo membro de ''A Grande Família''. Redator final da série, ele é responsável por boa parte das histórias que vêm alcançando 40 pontos de audiência nas noites de quinta. Muitas das confusões vividas por Lineu & Cia., segundo Cláudio, são autobiográficas. Ou quase. O episódio ''A mãe do ano'', sobre o sumiço de Nenê em pleno Maracanã, surgiu a partir de uma observação da própria mãe do autor: ''Quando eu morrer, vocês vão ter de fazer uma de barro para suportar a perda''. ''Esse tom melodramático é típico de mãe!'', diverte-se.
Mas Cláudio não toma para si os méritos pelo sucesso da série. Segundo ele, todos, do elenco ao diretor, passando pela equipe de roteiristas, são co-responsáveis. Ao contrário do que já aconteceu com Alexandre Machado e Fernanda Young, autores de ''Os Normais'', Cláudio nunca sofreu censura da Globo. Mesmo assim, alguns episódios, como o que abordava a violência urbana e a liberalização da maconha, demoraram para sair do papel. ''Quando você alcança uma audiência dessas, avalia melhor as responsabilidades. Sei do poder que a televisão tem...'', garante.
Mas a rotina de Cláudio Paiva não gira apenas em torno de ''A Grande Família''. Atualmente, ele se prepara também para escrever a versão cinematográfica da série. Além disso, já foi escalado para supervisionar os roteiros da série ''4 X Sexo'', de Patrícia Travassos, a mais cotada para substituir ''Os Normais''. Como se não bastasse, ainda seleciona os ''melhores momentos'' do extinto ''TV Pirata'', que ele ajudou a criar, para o lançamento do DVD. ''O bom é que vou ajudar a perpetuar o mito. Afinal, só vai entrar o filé mignon no DVD'', avisa ele.
A que você atribui o sucesso de ''A Grande Família''?
Para começo de conversa, o ponto de partida da série é muito bom. Porque você acaba agradando a todo tipo de público. Afinal, quem não tem família, não é mesmo? Os atores também são muito bons. E o Maurício Farias, o diretor, administra muito bem as relações do elenco. A equipe de roteiristas também não fica atrás. Ninguém faz televisão sozinho...
''A Grande Família'' tem tantas ''estrelas'' quanto o ''Sai de Baixo''. Como fazer para não melindrar ninguém?
O autor tem sempre de ter esse tipo de cuidado. Às vezes, um personagem fica meio esquecido na trama. Outras vezes, ele entra num beco sem saída. Aí, você tem de ver o que está acontecendo... Mas isso é natural. Mesmo assim, a relação que eu tenho com o elenco é completamente diferente. A relação com o pessoal de ''A Grande Família'' é mais séria, fácil, honesta e profissional.
Até quando a série ''A Grande Família'' tem fôlego para continuar no ar?
Até a morte nos separar... Porque, quando você diz fôlego, penso logo na questão física mesmo. O ritmo é muito puxado. Semana passada, por exemplo, fechei o 95º roteiro. E pensar que era para ter só 16... Se a Globo confirmar a série na grade do ano que vem, isso significa mais 40 roteiros. Dá para fazer? Não dá? Se é para fazer, vamos fazer bem-feito.
De onde vem tanta inspiração? Você também tem uma ''grande família'' em casa?
Ah, a minha família é uma mistura de ''Sai de Baixo'' com ''A Grande Família''. Tem até um Agostinho... Só não devia assumir isso publicamente, porque muita gente vai vestir a carapuça... Mas a minha família já rendeu muitas histórias. Eu me sinto completamente à vontade para escrever ''A Grande Família''...
Você nunca pensou em escrever novelas?
Mas eu estou escrevendo... A única diferença é que ''A Grande Família'' funciona como uma novela moderna, com apenas um capítulo por semana. Mas a série utiliza alguns elementos de folhetim, como elenco fixo e o tom realista. Já uma novela nos moldes tradicionais, não sei se saberia fazer. Honestamente falando. Não é assim tão fácil...

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