Não é só a descolada Marinete que vem se desdobrando para dar conta de tanto trabalho em ''A Diarista''. A intérprete Cláudia Rodrigues quase não tem tempo para outra coisa a não ser as gravações do programa semanal o pouco que sobra é dedicado à filha, Iza, de quase dois anos. Depois de oito anos de carreira na tevê, com passagens pelos humorísticos ''Escolinha do Professor Raimundo'', ''Sai de Baixo'' e ''Zorra Total'', Cláudia se sente numa espécie de ''curso de pós-graduação''. ''É como se tivesse terminado a faculdade. Paro e penso: 'Legal, agora tenho um diploma'. Mas só isso não basta, é preciso ir além'', compara.
Animada, a atriz não tem dúvidas sobre a mudança de patamar na carreira. ''O Alvarenga está mudando meus conceitos. Já fazia bem o humor rasgado, os tipos, mas aqui é dramaturgia com humor'', avalia, sem poupar elogios ao diretor José Alvarenga Jr. Já o fato de ter um programa próprio não tira os pés de Cláudia do chão. Simples e bem-humorada, ela faz questão de dizer que não é ''dona de nada''. ''Só estou protagonizando um programa. Não venham me pedir um papel aqui, uma pontinha ali, porque não tenho poder para isso'', avisa, entre gargalhadas.
O que você acha que ''A Diarista'' representa na sua carreira?
Fiquei muito feliz por ter sido convidada para este projeto. Muita gente acha que a idéia foi minha, mas na realidade a Marinete me foi encomendada pelo Mário Lúcio Vaz. E é ótimo saber que pensaram em mim para viver esta personagem. Além disso, estou feliz por poder experimentar um tipo de atuação que não tive a oportunidade de desenvolver ao longo de oito anos na Globo.
O que muda na sua interpretação num programa como ''A Diarista''?
Já tinha feito outras empregadas domésticas. A diferença é que esta não é tão caricata. Ela tem um contorno humano muito forte. Estamos mostrando a realidade, os problemas e os sentimentos de uma classe com humor. Acho que é a primeira vez que se fala desta classe com tanta verdade e fidelidade. A sensação que tenho é de que a cada semana passo por uma estréia diferente. O trabalho que eu fazia antes já podia fazer sem pensar, quase caía no automático. Aqui tenho de estudar, tenho de trocar com atores diferentes a cada semana, lidar com diferentes modos de interpretação, com diferentes histórias. Parece que estou fazendo uma pós-graduação.
Como você criou a Marinete?
Na verdade, a criação é muito coletiva. É claro que ela tem muita coisa minha, mas tenho de ouvir o diretor, os autores. Não posso chegar e dizer: ''Ela é assim e pronto''. Então, parti da visão deles e também dos depoimentos das diaristas. Colhemos diversos depoimentos, estive conversando horas com elas. Depois disso as coisas vão surgindo. Muitas vezes, crio alguma coisa e lá na frente é que vou descobrir que algo me inspirou um gesto, uma fala, um olhar. Acho que a gente tem uma espécie de arquivo de onde vai tirando essas coisas.
Neste seu ''arquivo'' havia muitas informações sobre serviços domésticos?
Olha, eu tenho intimidade com a coisa. Não tenho problemas se tiver de limpar uma privada, por exemplo. É claro que minha profissão é outra, minha cabeça está voltada para outras coisas. Mas faço questão de saber o que tenho em casa: os copos, os pratos, os lençóis. Gosto de arrumar a casa, ter as coisas nos lugares certos. Acho que este cuidado é importante para a casa da gente. Mas tem coisas que eu não domino muito. O Alvarenga já disse nas gravações que eu não sei passar roupa. E ele tem razão.
Você diria que esta é a tarefa mais difícil no trabalho da Marinete?
Acho que o pior é cumprir os horários. Geralmente, as diaristas moram longe do lugar onde trabalham, têm de pegar duas conduções, não podem chegar atrasadas. E o forte do programa é exatamente mostrar estas histórias de verdade. A Marinete corre atrás do ônibus. Elas têm de correr mesmo, porque têm medo de não chegar na hora e acabar perdendo o emprego. Além disso, elas têm de saber lidar com patrões e patroas diferentes, que têm suas manias, seus jeitos, suas regras próprias.

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