Rio de Janeiro - Era de se esperar que a audiência experimentasse momentos de sede de justiça depois de tudo o que o desajustado Léo aprontou em Insensato Coração (Globo), desde que a novela estreou, em fevereiro. O que o ator Gabriel Braga Nunes não esperava era que a redenção viria tão fácil, depois de curto calvário.
''É engraçado, porque já estão dizendo - principalmente as mulheres - que o coitado já sofreu demais, acredita?'', surpreende-se o ator, que encontrou a reportagem no sábado para falar do sujeito que o mantém em ritmo de Satisfaction, sua trilha sonora na novela, há seis meses. ''Ele não poderia ter tema melhor.''
O Léo entra na conta da insensatez da novela?
Na primeira conversa com o Gilberto (Braga, autor), ele me disse ''psicopata''. E quando se fala de psicopata, é difícil falar de insensatez. Psicologicamente, ele é perigoso, porque é imprevisível. Mas, nesse aspecto, é um personagem livre para o ator. E ele nunca deixa de ser cativante. Volta e meia eu me iludo.
A falta de questionamento dele não é ruim para o ator?
Cara, não acho... É uma liberdade infinita, utópica até. Não sei se a gente consegue ter esse descompromisso, mas o psicopata consegue.
Se ele já carrega uma tragédia, então a inveja do irmão (Pedro/ Eriberto Leão) seria uma conversa fiada, não? Ele não é um Caim...
É, há uma contradição aí, entre psicopatia e psicanálise. Em vários aspectos ele é um psicopata, mas ao mesmo tempo tem questões psicanalíticas fortes. A relação com a mãe, por exemplo... Ele é um cara que sai com prostitutas, se relaciona com as demais mulheres por interesse, e ama só a mãe.
E agora, já na reta final da novela, dá pra dimensionar o que ele representa em sua carreira?
Não penso nisso. O que significa pra mim é que ele é um personagem estimulante. Poucas vezes numa novela eu recebi cada bloco de capítulos com um interesse renovado. Não tive comodidade. Ele é o Mefisto da trama, que entra para movimentar a história.
O Léo nunca caiu no humor, que é um componente frequente em vilões de novela. Por quê?
Nunca fiz comédia, nem no teatro. Mas quando uma situação traz um componente de humor, acho bom você não fazer graça. Uma coisa que me incomoda aqui no Brasil é uma tendência dos atores a sublinhar certas coisas, como se estivessem ensinando uma criança. Acho meio careta.

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