ENTREVISTA - Fase revigorante
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Mariana Meireles<br> TV Press 
Há exatos três anos no comando do ''Melhor da Tarde'', Astrid Fontenelle nunca esteve tão entusiasmada com o trabalho na Band. O motivo de tanta euforia é uma total reformulação no programa, que vai do cenário ao conteúdo. Desde a última segunda-feira, o estúdio ganhou formato de casa, com escritório, sala e cozinha.
Objetos como livros, fotos e bonecas foram emprestados pela própria apresentadora, que travou ''árdua'' batalha por um ambiente mais aconchegante quando causou rebuliço na emissora com o MSC Movimento dos Sem Cenário. ''Queria um programa mais próximo do telespectador. A intenção é apenas humanizar'', explica Astrid que, assim como o programa, adotou novo visual. O cabelo louro na altura do ombro deu lugar a um corte moderno, na cor chocolate.
Já o conteúdo do ''Melhor da Tarde'' ficou mais diversificado. As fofocas e musicais perderam um pouco do espaço para pautas sobre saúde, qualidade de vida e prestação de serviços. O programa também ganhou quadros fixos, como o ''Hora da Receita'', em que um famoso prepara um lanche rápido; ''Direto do Baú'', onde Astrid resgata imagens marcantes no acervo da Band e traz no estúdio pessoas ligadas ao ''achado'', e ''Porta Retrato'', que revela intimidades de famosos. ''O programa estava meio bagunçado. Arrumamos como uma revista'', compara.
De onde veio a idéia de reformular o programa?
A Band quer três pilares fincados: conteúdo, audiência e dinheiro. Esse último vai muito bem, no mês passado tivemos o maior faturamento da emissora. A mudança no conteúdo é para conseguir mais audiência e qualidade. Percebemos que é possível fazer um programa sobre diversos assuntos. Afinal, não conversamos só sobre uma coisa na vida. E inserir pautas mais sérias. É só saber abordar de um jeito simples.
Como é a sua relação com a Marlene Mattos, que assumiu a diretoria artística da emissora no início do ano?
Uma grata surpresa. Ela trabalha o tempo todo, mas sempre a nosso serviço. Participa das reuniões de criação do programa junto com a gente, é uma ótima pauteira. Além de tudo, se preocupa com o nosso bem-estar. Outro dia, cheguei na emissora arrasada porque uma grande amiga minha está muito doente. Ela me botou para cima e apresentei o programa me sentindo outra pessoa.
Você sempre teve linguagem e postura de jovem. Agora, fala para um público generalizado. Ainda enfrenta alguma dificuldade para se enquadrar?
Os jovens assistem ao meu programa por causa desse meu espírito, mas não falo mais para eles. É legal atingir um público mais abrangente, mostro que tenho versatilidade para isso. Mas sofro. Tenho de ficar atenta para não perder o foco. Às vezes, esqueço que não estou falando para um público específico.
Você também sempre se destacou pela ousadia. Recentemente, criticou o estilista Ronaldo Ésper, da própria Band. Depois do episódio com o Kajuru, procura tomar mais cuidado?
Tenho preocupações óbvias. Não posso falar mal do patrocinador do meu programa. Nem tudo é conveniente. Critiquei o Ronaldo porque ele chamou o Lula de caipira e achei ridículo. É uma discriminação à cultura brasileira. A Band nunca reclamou de nada que eu disse. Sei o meu limite. Quando tinha 18 anos, invadi a reitoria da PUC, onde estudava, achando que ia mudar o mundo. Hoje, aos 43 anos, não sou mais assim.
O que mudou na Astrid dos tempos da MTV até hoje?
O amadurecimento é uma coisa maravilhosa. As celulites é que não precisavam vir junto. Estou mais tranquila, antes era muito ansiosa. Esse meu momento se reflete no programa, na vontade de mudar. Até em relação ao visual mais sério. Mas tenho de admitir que foi a Marlene que me deu o toque. Ela me disse: ''Esse teu cabelo tá podre, hein?''. Agora, todo mundo gostou.


