ENTREVISTA - Em ritmo de bate-papo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de maio de 2004
Renata Petrocelli<br> TV Press 
Depois de anos dedicada ao jornalismo político e econômico, Mônica Waldvogel descobriu o prazer de mediar um bom bate-papo no programa ''Saia Justa'', do GNT. E é esta experiência que ela pretende levar para o ''Dois a Um'', ''talk-show'' sob o seu comando que o SBT estréia amanhã, meia-noite. Numa mistura de jornalismo e entretenimento, o programa vai abordar um tema escolhido entre os assuntos da semana, sempre sob a ótica de dois convidados de áreas e opiniões distintas. ''Queremos mostrar a visão de espectador de alguém que não está ligado diretamente ao assunto e, por isso mesmo, tem opiniões diferenciadas'', adianta a jornalista.
Há pouco mais de um ano longe da tevê aberta, Mônica já pensava em montar sua própria produtora e aproveitou o ''empurrãozinho'' do SBT para lançar a Nossa Senhora da Boa Notícia. A empresa, na qual é sócia de Regina Echeverria e Roseli Galleti, é responsável pela produção do ''Dois a Um''. ''É interessante trabalhar numa estrutura mais leve. Esta é a grande novidade desta experiência'', avalia Mônica, que não esconde a ansiedade por ocupar o lugar deixado por Marília Gabriela no SBT. ''Temos formas de trabalhar diferentes. Os que eram fãs vão sentir falta dela. Todo meu esforço será no sentido de conquistar os 'órfãos' e 'viúvos' para o meu programa'', confessa, bem-humorada.
A possibilidade de voltar à tevê aberta pesou na decisão de aceitar o convite do SBT?
Na verdade, ter um programa neste horário é quase como estar na tevê fechada. Acho que o público será muito parecido. É claro que tenho esperança de agregar espectadores que não assistem ao GNT. Mas também gosto de ter um público mais específico, porque você sabe com quem está falando e isso ajuda a definir o programa. E gosto do horário também. A Gabi tinha uma boa audiência, o SBT está com um pacote de filmes muito bons, que alavancam a audiência para o programa.
É preocupante a idéia de ir para uma emissora que não tem valorizado o jornalismo na grade de programação?
Não estou tendo contato com a filosofia da empresa porque fui convidada para fazer a produção. Como me passaram um determinado ''briefing'' do programa que eles queriam, acho que há interesse num formato como este para o horário em que estou entrando, e isso é bacana. Da outra vez que trabalhei no SBT, o jornalismo tinha uma importância grande. O Bóris Casoy estava lá, era a época do ''impeachment'' do Collor. Depois disso, por várias razões, o jornalismo foi praticamente extinto. Mas não me cabe avaliar a lógica e a política da emissora.
Como vai ser feita a seleção de temas e convidados?
Queremos que os temas venham da pauta jornalística, que sejam ''quentes''. E os convidados vão surgir naturalmente. No ''Saia Justa'', percebi que pode ser muito interessante ouvir quem não está diretamente ligado a uma questão. Os jornalistas estão acostumados a ouvir especialistas, mas pessoas de outras áreas podem ter um olhar diferenciado. Vamos mostrar como estas pessoas são impactadas pelos assuntos discutidos. E vamos gravar sempre na quinta ou sexta-feira, para garantir a atualidade dos assuntos.
Você acha que a experiência no 'Saia Justa' vai ajudar na condução do novo programa?
Sem dúvida. Ganhei mais jogo de cintura, estou mais aberta para temas distantes da minha vivência profissional. Sempre fiz um jornalismo mais formal, mais duro. O ''Saia Justa'' me mostrou que tenho jogo para fazer algo de que gostei: servir de moderadora entre idéias diferentes, organizar a conversa e passar a bola para quem tem o que dizer.
Você espera mediar debates acalorados?
Prefiro dizer que serão jogos de idéias. É claro que quem tem uma convicção, ou um ideal, fica com a emoção à flor da pele. Mas não vou buscar a polêmica, o confronto. Nem o horário é propício para ''cair matando'' com discussões tensas. Queremos discutir um tema com leveza, humor e novidades na forma de olhar.


