ENTREVISTA - Em paz com a vida
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de abril de 2007
Márcio Maio<br> TV Press 
Simples, mas guerreira. Assim como Eliana, sua personagem em ''Luz do Sol'', novela da Record, Patrícia França valoriza as pequenas coisas da vida e aproveita o tempo que tem entre as gravações para isso. Entre um gole de café e uma mordida no pão com manteiga, a atriz esquece o ''glamour'' da televisão e mostra que ainda conserva os mesmos hábitos da menina que, aos 19 anos, deixou o Recife para protagonizar a minissérie ''Tereza Batista'', na Globo. ''Comecei fazendo teatro muito cedo, aos nove anos. Minha cabeça é outra. A fama e os holofotes não chamam minha atenção'', garante.
Em sua terceira novela na Record em apenas três anos de casa - na Globo, Patrícia permaneceu por 14 anos e trabalhou em apenas seis, uma delas como participação especial -, ela agradece não carregar mais o fardo de encarnar protagonistas. ''Cansa muito. Agora tenho bons papéis, mas também consigo viajar, ir ao cinema, brincar com minha filha'', explica.
Como você, que é mãe de uma menina de seis anos, avalia o comportamento da Eliana, sua personagem em ''Luz do Sol''?
Para uma mãe, deve ser uma perda irreparável ver uma filha morrer. Não consigo me colocar nessa situação, mas acho que uma mãe como ela nunca se recuperaria. É difícil avaliar o que ela sente, mas essa nova criança vem para suprir essa perda. Isso faz com que ela se apegue demais, de uma maneira até autodestrutiva. Nem a diferença física entre a criança e a família faz ela cair na real. A menina é muito diferente, loura e de olhos azuis. É como se esse ''detalhe'' não existisse e ela realmente tivesse substituído o amor. É meio louco, mas é coisa de mãe.
Com a passagem de tempo de 1991 para os dias atuais, os filhos de Eliana aparecem adultos. Não é estranho interpretar a mãe de duas pessoas tão crescidas?
Acho isso muito legal. Eu estou com 35 anos e essa é uma das abordagens da Ana Maria Moretzsohn que eu acho mais válidas. Minha irmã tem 30 anos e uma filha de 14. A autora vai falar sobre isso no texto. A idéia é mesmo mostrar uma mulher despreparada, inexperiente, que age por puro instinto. Então a pequena diferença de idade é possível. Isso vai ser explicado aos poucos. Não posso negar que é engraçado, porque o Eduardo Pires, que interpreta Vicente, o filho mais velho, tem 26 anos. Mas na história ele tem 20.
Essa é sua terceira novela na Record. Qual é o seu balanço?
Muito positivo, mas não esperava isso. Na verdade, vivo o momento. Na época em que fui chamada, era propício investir nisso. O ator brasileiro não pode escolher. Invejo aqueles que administram suas carreiras e chego até a desconfiar deles. Eu vou de acordo com as oportunidades. Avalio, vejo até que ponto posso ser feliz com aquilo e vou em frente.
Quando você estreou na televisão, protagonizou a minissérie ''Tereza Batista''. Isso te assustou?
Isso não fazia minha cabeça. Queria fazer direito o papel, não me ligava nessa coisa de virar estrela. Eu vim do teatro, é uma outra cabeça. Pensava só no trabalho. Acho que essa humildade acabou me ajudando dentro e fora da emissora. A maneira como lidei com tudo isso numa cidade grande, longe da família, foi a mais madura possível. Foi difícil, as circunstâncias por trás me assustaram. Eu tinha 19 anos e nunca tinha me afastado da minha família. De uma hora para a outra, estava na tevê, nos jornais...
Foi difícil lidar com a fama?
Foi complicado no início. Não entendia que precisava usar uma máscara, sair de casa sempre com um sorriso pronto. Acho que todo mundo tem uma dose de timidez, e não fujo à regra. Essa foi uma barreira minha, mas pouco tempo depois eu percebi essas coisas e acabei me acostumando. Só estava habituada ao teatro.


