Curitiba - Uma temporada de ópera, a intensificação do programa Corredores Culturais e um intercâmbio entre os países integrantes do Mercosul estão na agenda do Centro Cultural do Teatro Guaíra (CCTG) para o ano que vem. O orçamento reservado para a instituição, no entanto, não deve acompanhar a demanda da programação, por isso a diretora-presidente, Nitis Jacon, avisa que vai se empenhar para buscar parceiros na iniciativa privada. A campanha começou já este ano, com uma série de viagens nacionais e internacionais realizadas por Nitis. Ela falou à Folha sobre a importância de buscar parceiros para a realização dos trabalhos e fez um balanço dos seus dois anos de gestão. Acompanhe a entrevista.

Qual o balanço que você faz da sua gestão?
O balanço que eu faço é muito positivo. Está havendo uma receptividade grande para o nosso trabalho não só aqui em Curitiba como no Estado todo. A demanda começou a crescer muito porque a maioria dos municípios já estava conformada com sua invisibilidade, com a impossibilidade de conseguir qualquer apoio sobretudo dentro cultura. Porque na saúde e na educação, por exemplo, já existe uma política pública nacional, que prevê apoio de alguma maneira. Na cultura não. Não existem políticas públicas de cultura e isso faz com que cada governo interrompa projetos que às vezes são bons e outros que a gente nem sente interromper.

Como está a situação hoje
Hoje existe uma demanda muito grande dos municípios. No ano passado foi um momento de transição, um orçamento e uma programação que vinha de um governo anterior que a gente tinha que cobrir. Mas neste ano tudo o que semeamos e planejamos em 2003 se revelou exitoso. Estamos satisfeitos porque dentro de um dos programas, específico para o Centro Cultural do Teatro Guaíra, como a manutenção dos corpos estáveis, escola de dança e reformas dos espaços, conseguimos um bom desenvolvimento. Os outros dois programas, o Paranização e a integração com o Mercosul, também foram satisfatórios.

A senhora tem viajado muito, como isso está se refletindo na administração?
Eu viajei muito no ano passado fazendo contatos com vários municípios e associações regionais para desenvolver a idéia de que o Estado todo tem direito ao Teatro Guaíra e que todos contribuem para manutenção desse centro cultural. Eu viajei pelo interior justamente por causa do programa Paranização que está tendo uma receptividade grande. Este ano computamos 107 municípios que já foram atingidos pelo programa. Em janeiro vamos fazer uma reunião com várias células desses municípios para traçar estratégias para 2005.

As viagens para o exterior também tiveram esse objetivo?
A idéia é fazer articulações políticas. Além de se estender para o Estado, o Centro Cultural Teatro Guaíra tem um protagonismo importante no Mmercosul. Não dá para fazer as coisas sozinho, nós temos que articular a instância governamental, a empresa privada e a sociedade civil. Este ano eu participei de uma reunião na Cidade do México para apresentar a idéia dos Corredores Culturais, que faz um intercâmbio com montagens de vários países, e a idéia foi incluída na programação permanente da cidade.

E quem deve arcar com esse intercâmbio?
Deve ser uma parceria. Essa articulação é complicada e por isso temos que marcar presença nas cidades. Não é tão simples.

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