ENTREVISTA - EDSON BUENO
O Delírio está há 28 anos em atividade. Provavelmente seja um dos grupos mais longevos do Paraná. Vocês continuam fiéis à proposta original ou foram incorporando outras linhas estéticas ao longo dos anos?
No início, nossos espetáculos apoiavam-se muito no absurdo, no humor negro, com uma linguagem expressionista. Com o tempo fomos assumindo outras formas. Hoje o Delírio tem usado a literatura (Machado de Assis, Kafka, Ferrnando Pessoa, Clarice Lispector, Paulo Leminski) como matéria prima. Nosso teatro apóia-se na palavra para a sua linguagem e sua pesquisa e tem um forte componente humanista.
Do núcleo original, quantos integrantes ainda estão na companhia? Vocês vivem exclusivamente de teatro ou mantém atividades profissionais paralelas?
Do núcleo original permancem eu e o Áldice Lopes. Todos vivemos exclusivamente de teatro, ou melhor dizendo, do nosso trabalho de ator, autor, diretor, maquiador, cenógrafo, etc. Em outras palavras, fazemos também teatro com outras companhias e não apenas no Delírio.
Qual o ''segredo'' para manter um grupo de teatro de pé durante tanto tempo?
Obstinação e paixão. Hoje não consigo me imaginar sendo outra coisa. Fazer teatro (arte) é o meu sangue, é o que me alimenta, que me dá prazer, que me faz sentir vivo. Quem faz teatro precisa de gente.
Ao longo desse percurso, qual foi o ponto alto? Qual foi o espetáculo que lhes trouxe mais prestígio, mais elogios, mais consagração, enfim?
Não dá pra dizer qual o ponto mais alto, mas fizemos coisas importantíssimas como ''New York por Will Weisner'' (1990), ''Psicose, a Comédia e Equus'' de Peter Shaffer (1995), ''Onde Estivestes à Noite'' (2001/2002), ''Vermelho Sangue Amarelo Surdo'' (2001/2002), ''Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos'' (2003), ''Capitu'' (2005) e ''Metamorphosis'' (2005), além dos espetáculos que encenamos depois do ''Onde o Diabo Perdeu as Botas''. Nossa vida foi feita de quase 30 espetáculos que sempre falaram da nossa alma e das nossas inquietações.





