ENTREVISTA - 'Crônica é como jazz'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Luís Fernando Veríssimo das crônicas e dos contos bem-humorados e das análises futebolísticas é notório. Na semana passada, o escritor gaúcho veio a Curitiba em nome de uma faceta menos conhecida: a de músico. Veríssimo toca sax alto no conjunto Jazz6, que já lançou três álbuns e se apresentou na capital paranaense na última sexta-feira. Em Londrina, sua veia literária carregada de humor pode ser conferida no espetáculo teatral ''Mentiras que os Homens Contam'', inspirado nos seus textos.
''Para forçar uma analogia, a crônica é como o jazz. Propõe-se um tema e você faz variações em cima'', comentou Veríssimo. O grupo toca standards do jazz, de nomes consagrados como Duke Ellington e Cole Porter, e versões jazzísticas para canções da bossa nova (que se baseou totalmente no ritmo norte-americano) e da MPB (Djavan, Gilberto Gil).
''Nossas referências vão até os anos 60, 70. Damos ênfase ao improviso. Mesmo na bossa nova, naquela batida de samba, a gente encaixa um improviso'', apontou o escritor. O baixista Jorge Gerhardt lembrou às gargalhadas da primeira apresentação do Jazz6, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, em 1995. ''Era uma noite para novos talentos. E o engraçado é que no Jazz6 só tinha velho! Somando as idades dos integrantes, dava uns três séculos'', contou Gerhardt.
A paixão de Veríssimo pelo jazz é antiga. Ele comentou que aprendeu a tocar sax alto aos 16 anos. O ambiente ajudou. ''Porto Alegre sempre teve muito jazz. O gênero chegou à cidade nos anos 20, quando estava se popularizando nos Estados Unidos. Não sei por quê, talvez pela proximidade com Buenos Aires, que sempre foi um grande centro gerador de música'', analisou o escritor. ''A literatura e o jornalismo me sustentam, mas se eu pudesse escolher, daria mais atenção à música''.
Veríssimo comentou que não falta público ao Jazz6, mas acredita que o jazz vive um momento de crise. ''Eu acho que o público de jazz está diminuindo. Nas lojas de discos, a seção para o gênero está cada vez menor'', afirmou. Nesse sentido, Veríssimo disse que acha importante que cantoras pop como Diana Krall ajudem a popularizar o jazz.
''É importante o jazz ter figuras, personalidades. A música instrumental é mais difícil de popularizar'', reconheceu o escritor. O Jazz6, por sua vez, está com agenda cheia até o meio do ano que vem. A procura pelos shows do conjunto gerou até uma possibilidade de carreira internacional.
''Quase tocamos na Alemanha durante a Copa do Mundo. O Veríssimo estava lá, acompanhando a Copa, e quase marcamos uma apresentação do Jazz6. Mas não conseguimos passagens, e os alemães gostam de marcar tudo com seis meses de antecedência. Aí, não deu certo'', explicou Gerhardt.


