''Aprendendo a Escrever Histórias Para Crianças: Metodologia da Criatividade'' é o tema do workshop que a norte-americana LeAnne Hardy realiza nesta sexta e sábado, em Londrina, em uma promoção da Pós-Graduação Isbl e a Alumni (Associação de Ex-Alunos da Pós-Graduação Isbl). Bacharel em Filosofia pela Indiana University, além de mestre em Biblioteconomia pela University of Minnesota e escritora de diversos livros, LeAnne já morou no Brasil e atualmente trabalha na África do Sul, escrevendo para crianças infectadas pelo vírus da Aids. O público-alvo são profissionais - como terapeutas, psicopedagogos e professores - e demais interessados que trabalham ou convivem com crianças e queiram desenvolver habilidades para escrever histórias diferenciadas para situações específicas no âmbito educacional e terapêutico.
Confira abaixo trechos da entrevista com LeAnne Hardy.

Explique mais detalhadamente o seu trabalho e conte sobre quando começou a realizá-lo.
Eu escrevo histórias para crianças e jovens. Como criança sempre gostei de livros. Como adulta, trabalhei numa livraria infantil e comecei a colecionar livros de alta qualidade para a família que sonhava ter. Fiz mestrado em biblioteconomia. Sempre inventava histórias, mas só quando minhas filhas se tornaram adolescentes comecei a escrevê-las. Como morei em países diferentes, as histórias tinham relação com aquelas culturas.

Na África do Sul, onde mora atualmente, você escreve para crianças aidéticas. É um texto individual ou coletivo? Que valores busca passar para crianças que estão nessa situação tão difícil e delicada?

Há muitas crianças que não são aidéticas, mas que são afetadas pela doença por causa dos pais, irmãos, tios, professores e outros doentes. Temos mais de um milhão de órfãos na África do Sul. Há regiões do país onde mais de 70% dos adultos são soropositivos. Muitas crianças são desvalorizadas por causa do mau entendimento sobre a doença. Há ainda pessoas que crêem que ela é causada por maldição e a criança deve estar enfeitiçada. Existem livros com informações, mas são as histórias de pessoas ''iguais a mim'' que tocam mais no coração. Minhas histórias comunicam o valor da criança, de falar dos seus medos e trabalhar juntos para o melhor da família e da comunidade. O desafio é criar uma história de uma criança em particular, mas que comunique valores universais que serviriam para qualquer criança brasileira, americana ou africana. Tenho escrito várias histórias individuais, algumas foram publicadas em revistas. Estou trabalhando num romance sobre uma família encabeçada pela irmã de 16 anos. Infelizmente, isto não é mais uma situação incomum.

Fale um pouco sobre a metodologia que irá trabalhar no workshop em Londrina. Qual é o diferencial?
Eu gosto de usar discussão, grupos pequenos e exercícios práticos. Os alunos irão aproveitar melhor se vierem com uma idéia da história que querem escrever. O propósito do workshop é dar ferramentas que eles possam usar para escrever as próprias histórias.

As histórias têm um poder curativo?
Histórias nos mostram que não estamos sozinhos. Outros já passaram por este caminho. No caso de criança afetada por HIV, é bom saber que não sou a primeira a experimentar rejeição. Não tenho que aceitar esta opinião dos outros. Deus não parou de me amar. Claro que choramos quando os pais morrem, mas a vida pode continuar com esperança. Quero modelar as crianças lutando, mas conseguindo as coisas que os livros de informações falam.

É preciso ter o ''dom da escrita'' para escrever boas histórias?
''Dom'' ajuda, mas não é tão importante quanto a perseverança. Escrever é difícil. Escrever bem é reescrever muitas vezes para aperfeiçoar. Meu romance 'Glastonbury Tor' passou por 11 rascunhos antes de ir para a editora. Achar a editora exige mais perseverança ainda. O escritor tem que crer na sua história e ter a vontade de continuar a trabalhar até acertar. Com ou sem ''dom'', lendo livros de qualidade, livros premiados, no estilo que você quer escrever, ajuda a treinar o ouvido. Assim pode aprender o que funciona e o que falha.

Você já publicou algumas de suas histórias? Se sim, foram publicadas em português?
Em outubro saiu meu quarto livro, 'Glastonbury Tor', um romance histórico para jovens e adultos situado na Inglaterra do século 16. Tenho outros dois romances para adolescentes e uma história ilustrada sobre quem é Deus do ponto de vista de um menino africano. Uma das histórias sobre AIDS está para ser lançada em abril na África do Sul. Infelizmente nenhuma delas existe em português. (N.R.Os livros publicados são de Kregel Publications e podem ser encontrados no www.amazon.com.).

Por que e quanto tempo morou no Brasil? Como foi essa experiência?
Chegamos no Brasil em 1978. Moramos em Campo Grande (MS), onde meu marido participou da fundação da Faculdade Teológica Batista do Oeste do Brasil e eu organizei a biblioteca da escola. Nossas duas filhas nasceram aqui no Brasil. Mudamos para Moçambique em 1985. Adoramos o Brasil. E ainda temos muitos amigos por aqui. Meu livro 'Between Two Worlds' conta a história de uma menina criada no Brasil que foi levada para os Estados Unidos no ano do seu aniversário de quinze anos. Ela não quis ir. Preferia o Brasil.

Serviço:
- Mais informações pelo telefone (43) 3379-7200; pelo e-mail [email protected] ou pelo site www.isbl.org.br/pos. As vagas para o workshop são limitadas.

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