ENTREVISTA - Com o tempo do humor
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Rodrigo Teixeira<br> TV Press 
O inquieto Jorge Fernando encara ''Chocolate com Pimenta'' como uma espécie de ''primeira vez''. É que o diretor acredita que o mais próximo que chegou de uma produção de época foi em ''Que Rei Sou Eu?'', trama de Cassiano Gabus Mendes que fazia uma paródia da Revolução Francesa adaptada para os tempos da Nova República em 1989. Para Jorginho, vai ser com a história de Walcyr Carrasco que ele vai provar uma novela de época nos moldes tradicionais. ''É um novo gênero para mim, pois ''Que Rei Sou Eu?' tinha um lado mais bufo e carnavalesco. Para mim, 'Chocolate' é um recomeço'', valoriza o diretor.
Na verdade, o convite para ''Chocolate com Pimenta'' surgiu do próprio Walcyr Carrasco. O autor pediu para a emissora que Jorginho fosse o diretor da nova novela das seis. Apesar de nunca terem trabalhado juntos, Jorginho garante que a sintonia com Walcyr, por enquanto, é perfeita. ''Já criamos um código de não-egoísmo que será fundamental para o sucesso da novela'', afirma. O diretor garante que estreou novela e com 15 capítulos prontos e que vai imprimir seu estilo ágil em ''Chocolate com Pimenta''. ''Não sei fazer nada sem humor'', avisa.
Os seus últimos trabalhos não foram sucessos de audiência. Você espera dar a volta por cima com ''Chocolate com Pimenta''?
A questão é que a noção de sucesso vem mudando com os anos. Entre os dez primeiros lugares na audiência das últimas novelas das sete, por exemplo, apareço em seis delas como diretor. Mas não é o Ibope que determina o que é sucesso para mim. Na década de 90, fiz novelas que adorei. Inclusive, ''As Filhas da Mãe'' que considero o meu melhor trabalho como diretor. A novela tinha uma qualidade exemplar, mas estreou na semana do sequestro da filha do Silvio Santos e depois veio o 11 de setembro. Isso prejudicou.
A novela será exibida no horário dos dramalhões do SBT e programas policialescos. Como vai enfrentar a concorrência?
Com uma novela bem-produzida, com uma história delicada e feita com amor. Quero que ''Chocolate'' seja uma opção às pessoas que não gostam destes policialescos cheios de fatalidades. É preciso entender que antes era só colocar a novela no ar que todo mundo via. Não é mais assim.
Como é estar à frente de uma novela de época tradicional?
Estou adorando, pois nunca havia feito época. Não considero ''Que Rei Sou Eu?'' porque era uma novela bufa e carnavalesca. Já ''Chocolate'' é romântica, apesar de ser uma comédia rasgada. Então, estou começando um novo gênero e buscando a delicadeza mesmo nas cenas mais engraçadas. Quero mostrar o coração dos atores pulsando nas cenas. Mas jamais vou saber fazer uma novela sem ritmo e humor, pois o meu negócio é subverter o drama. Então, já que a brincadeira é ser belo, escolhi as locações mais lindas que achei. O figurino e a luz são as estrelas desta novela.
Você arriscaria dizer que a maior parte dos espectadores brasileiros é ainda conservador?
Tinha minhas dúvidas, mas após ''As Filhas da Mãe'' tive certeza de que o brasileiro quer assistir a uma história bem-contada e não adianta ter várias tramas. E esta novela é isso. É a história de uma personagem e tudo converge para ela. Quero dar um presente às pessoas que gostam de novela das seis. Sempre achei que o horário das seis tinha de ser ocupado por uma novela romântica como ''Chocolate''. Não necessariamente açucarada, mas romântica.
Como está sendo a parceria com o Walcyr?
A relação entre autor e diretor é igual a um romance. Você pode amar a pessoa, mas na hora de transar pode não dar certo. E eu e o Walcyr já criamos um código de lealdade, de não-egoísmo e de parceria que hoje é fundamental porque o mundo está muito amargo. Todos estão com um pé atrás. Falamos muito do que é dividir e somar em um trabalho juntos. O sucesso será uma consequência. Porque se a novela tiver autor e diretor unidos, o elenco vai se unir também. Eu sempre ganhei as pessoas pela dedicação. Não quero só fazer mais uma novela. Quero fazer uma produção com algo a mais e manter a minha grife.


