Você inicia hoje um giro por seis cidades paranaenses. Provavelmente, já participou de encontros semelhantes em outras regiões do País, seja através de feiras, bienais ou festivais. Essa proliferação de eventos literários não sugere que o Brasil esteja vivendo um boom no setor? Como voce vê esse fenômeno, que contraria a ideia bastante difundida de que o brasileiro não lê?
  De fato, participei de vários eventos em todo o Brasil, e os eventos se multiplicam mais e mais. Os brasileiros têm lido, sim, não é somente uma impressão ou um desejo tão forte que faz com que as coisas se consolidem. Por outra parte, também se tem exigido de escritores e de outras categorias de gente que pensa o mundo de forma específica que se manifeste, que esteja junto, que diga o que acha de tal ou qual coisa. Assim, não sei se de fato as pessoas leem mais ou se pretendem ler mais e tem dúvidas com relação ao mundo. Acho que tudo junto, incluído.
Desde que começou a carreira como escritora, guarda alguma lembrança especial surgida de um encontro com um leitor comum de seus livros?
  Olha, tenho dezenas de histórias de encontros com leitores, de conversas surpreendentes, de verdadeiros sustos. Não tenho, assim, especialmente guardada uma história. Mas se é para lembrar de algo forte mesmo, me lembro de uma leitora que tatuou uma frase minha no antebraço. Ela fez o mestrado dela sobre um livro meu e hoje se encaminha ao doutorado. Acho a história maravilhosa. E me pesa a responsabilidade.
As premiações literárias costumam vir acompanhadas de maior visibilidade, assédio e solicitacões, o que acaba mexendo com o cotidiano e a disciplina no processo de criação do autor. Como tem sido essa experiência para você?
  Acho que premiações mexem, sim, com o cotidiano da gente. Luzes são jogadas sobre a gente. E o que acaba acontecendo é que o nível de exigência da gente com a gente mesmo, que nunca foi pouca coisa, acaba aumentando até um nível que seria absurdo.
Antes de se dedicar integralmente à literatura, você trabalhou como jornalista na área de literatura. Como avalia a crítica literária brasileira? A literatura e o universo dos livros estão sendo bem tratados pela imprensa. Que papel vê nos blogues e sites especializados?
  Por vezes, acho que há uma espécie de leviandade, como se todo mundo pudesse falar de literatura, gosto disso, não gosto daquilo, aquelas críticas ou resenhas impressionistas, na base de achismo. Por outro lado, há uma geração esplendorosa de resenhistas e críticos, que sabem bastante bem do que estão falando. Os blogues são um achado e auxiliam o leitor a se decidir a ler ou não. Há blogues sensacionais, como o ‘‘Mundo Livro’’, do Carlos André Moreira, ou o do Sérgrio Rodrigues, que é tudo de bom.
Você foi uma das autoras incluídas na antologia ‘‘Geração 90 – Manuscritos de Computador’’, organizada por Nelson de Oliveira. Quais características diferenciam a produção literaria dessa geração das gerações anteriores?
  Tu sabes que eu não sei bem direito? Acho que a sacada do Nelson de Oliveira, grande autor e movimentador cultural, foi nos unir, nós, os contemporâneos. Mas acho que, em termos de conteúdo e estilo, nunca fomos tão diferentes uns dos outros e dos que vieram antes de nós.
Seu último livro, o romance ‘‘Por que sou gorda, mamãe?’’, foi publicado em 2006. Quando sai seu próximo título?
  Por favor, não fala em ‘‘último’’. É apenas o ‘‘mais recente’’. Devo lançar novo livro no início do ano que vem.
A literatura contemporânea brasileira já legou alguma obra-prima para a posteridade? Alguma narrativa em prosa publicada nas três últimas décadas será considerada um clássico no futuro? Se fosse eleger um livro, apenas um, qual seria ele?
  Poxa vida, apenas um livro? Não sei. Se me deres uns 10 anos para pensar, te respondo com mais segurança.

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