ENTREVISTA - Cheio de cartas na manga
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Renata Petrocelli<br> TV Press 
Carlos Lombardi garante não saber o segredo do sucesso de suas tramas antes de levá-las ao ar. Mas a Globo sabe exatamente o que fazer com elas depois que caem no gosto do público. A emissora convenceu o autor a esticar ''Kubanacan'' até meados de janeiro. Desde 2000, o horário das 19 horas não registrava índices de audiência tão altos a novela mantém média de 38 pontos, com picos de até 45. E, à época, era ''Uga Uga'', outra trama de Lombardi, que estava no ar. O autor garante que assunto é o que não lhe falta. ''A questão é de ordem prática. História para ir até janeiro eu tenho'', assegura.
A entrada e saída de personagens ocasionais, utilizados desde o início da trama, é uma das estratégias às quais o autor pretende continuar recorrendo para manter o interesse na novela por mais tempo que o previsto inicialmente. O mais novo ''reforço'' é Regina Duarte, que faz uma participação como a amante de Alejandro Rivera, vivido por Werner Schunemann. E há sempre a possibilidade da entrada de novos personagens fixos, caso do próprio Alejandro e de Laura, que será vivida por Letícia Spiller. ''A novela tem uma estrutura episódica que permite participações, pedaços de história que começam e acabam, sempre com um fato novo acrescido à trama'', defende Lombardi.
O que você achou da idéia de esticar ''Kubanacan'' até janeiro?
Há mais questões de ordem prática. A dificuldade para se aumentar uma novela não é falta de assunto. Não, pelo menos, em ''Kubanacan''. Se eu soubesse que a novela seria tão trabalhosa, teria começado a escrevê-la um ano antes. Sei que o trabalho é extremamente puxado para Adriana Esteves, Pasquim, Vladimir, Danielle e Carolina. Eu escrevo muito, eles gravam muito. Trama eu tenho para ficar no ar por muito mais tempo.
Que tramas você acredita que devem render mais?
A estrutura episódica da novela é uma vantagem. Quando se trata do passado de Esteban, então, é um prato cheio: cada vida que ele viveu, sob disfarce, é a chance de um episódio. E sempre que o episódio termina, Esteban sai com mais uma peça do enorme quebra-cabeças que é sua vida. As histórias começam, acabam e sempre acrescentam algo novo à trama. Tive sorte nesta novela. Os casais Lola e Esteban, Lola e Enrico, Rubi e Esteban, Rubi e Enrico, Marisol e Esteban e Marisol e Enrico funcionam muito bem, assim como as irmãs Lola e Rubi e os rivais/amigos Esteban e Enrico. Não tenho muitos problemas nesta área.
A que você atribui a boa audiência da novela?
Sucesso é uma conjunção de fatores. Nesta novela, tenho uma bela direção, tanto em termos plásticos como na direção de atores. Tenho um elenco particularmente bem escalado, que tem rendido acima das minhas expectativas. Sei que a história é interessante. Eu me esforço para fazer um trabalho que seja popular, porque trabalho para o grande público. E há de se contar com a sorte, sempre. A grande vantagem de se fazer uma novela de sucesso é que menos gente se mete. Numa novela de audiência baixa, há muitas pressões para que se mude tudo.
O que motivou a mudança de rumo da personagem de Danielle Winits?
A personagem da Dani não mudou como um remendo. Fazia parte desde o início da trama uma fase em que ela se faria passar por outra mulher. Como todos vão ver, isso não é uma alteração definitiva, mas apenas uma fase que a personagem atravessa. E que já chega ao fim nesta semana.
O ritmo de gravações da novela, que está com uma pequena frente, pode ser explicado por sua necessidade de ir vendo a trama no ar à medida em que escreve?
Só acredito em novela como uma colaboração, uma troca entre autor, diretores, atores e público. Gosto de escrever para o ritmo que os diretores impõem à narrativa, para o elenco que eu tenho, incorporando tudo o que eles acrescentam aos personagens, apostando nos relacionamentos que acho interessantes no ar.


