ENTREVISTA - As múltiplas faces do humor
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segunda-feira, 01 de dezembro de 2003
Daniela Valente<br> TV Press 
Lúcio Mauro Filho pode se considerar um privilegiado. O ator, filho do veterano Lúcio Mauro, tem podido experimentar na Globo vários tipos de comédia. Começou com um humor mais tradicional, em ''Zorra Total'', onde ficou por quatro anos fazendo o papel de Alfredão, filho homossexual de um machão interpretado por Jorge Dória. Daí a ser chamado para entrar na trupe de Guel Arraes, no remake de ''A Grande Família'', ao lado de Marieta Severo, Marco Nanini, Pedro Cardoso e Guta Stresser. No seriado, bem no gênero ''sitcom'', Lúcio faz o Tuco, um jovem que estica a adolescência.
O terceiro tipo de humor é o mais recente, no humorístico ''Sexo Frágil''. A série é uma espécie de sucessor de ''Os Normais'', mas não só no horário. Baseado em textos de Luis Fernando Veríssimo, ''Sexo Frágil'' explora uma linguagem mais ousada e sofisticada, com os atores falando diretamente com a câmara e abordando de forma debochada a perplexidade do homem moderno diante dos relacionamentos. No novo seriado, Lúcio e Bruno Garcia, Lázaro Ramos e Wagner Moura se revezam nos papéis de homem e de mulher. Mas para entrar no novo humorístico, Lúcio Mauro acabou optando por sair de ''Zorra Total''. ''Estava precisando me reciclar e a correria ficaria muito grande'', justifica o ator de 29 anos.
O que o levou à decisão de sair do ''Zorra Total'' para começar o ''Sexo Frágil''?
Estou em um momento de transição. Acho que cumpri minha missão no ''Zorra'' e precisava me reciclar. Não seria possível estar em três produções ao mesmo tempo e, como estou no projeto da ''sitcom'' desde o início, me senti à vontade para decidir. Outro estímulo foi já ter trabalhado com o diretor João Falcão e dividido o palco com o Lázaro Ramos e o Bruno Garcia na peça ''Homem Objeto'' e nos quadros do ''Fantástico'', que tinham uma temática parecida.
Você trabalha, simultaneamente, em duas produções humorísticas há algum tempo. É difícil conciliar?
Eu não estava acostumado com tamanha correria. Gravo ''A Grande Família'' semanalmente. O ''Zorra'' era mais tranquilo. A mecânica era mais simples e gravávamos quinzenalmente. Atualmente, estou no set de segunda a sexta-feira com horários que se comparam aos de uma novela. No ''Sexo Frágil'' estou em todos os roteiros e gastamos muito tempo em cada transformação para virar mulher leva cerca de uma hora e meia. De qualquer maneira, vale a pena.
Como você se inspira para compor seu personagem e as mulheres que interpreta em ''Sexo Frágil''?
Não tive muita dificuldade para interpretar o Beto. Identifiquei-me com muitas características, mas sou ''zen'' e mais estável. Beto é machista, estressado, inseguro e está numa fase confusa. Dos personagens, ele é o que enfrenta a crise maior. Sente-se frustrado, querendo dar a volta por cima, surpreender, mas não consegue. Está se sentindo pressionado. Mas o maior problema é interpretar as várias mulheres. A caracterização é complicada. Fazer a sobrancelha é horrível, dói demais. Também precisamos colocar algumas próteses de seios, andar de salto alto e usar muita maquiagem. A transformação é cansativa e dolorosa, mas no final, é tudo muito divertido.
Pesa para vocês entrar no ar para substituir um programa de grande audiência como ''Os Normais''?
Nem um pouco. Seria igual com qualquer programa que estivesse participando. Quando começamos a gravar ''A Grande Família'' também existia a pressão de estarmos em um ''remake''. Não vejo diferença. O lance é fazer um trabalho de qualidade, que prenda o telespectador. No caso, queremos convencer como homens inseguros e mulheres moderninhas. Só não podemos parecer travestis.
Como você avalia sua vida profissional?
Estou em um momento muito positivo. Me considero privilegiado por estar em duas produções cômicas. Durante muito tempo, trabalhei com feras e agora estou tendo a oportunidade de contracenar com amigos de palco. Mas acho que sempre vou poder aprender alguma coisa.


