Que tipo de poesia resultou dos anos 70, ou seja, qual é o panorama da poesia brasileira contemporânea?
Eu acho que ela está vivíssima. A boa poesia não morre. Está vivíssima no Leminski, Ana Cristina, no Chico Alvin. Eu acho que ela, durante muito tempo, entrou em descrédito e agora está tentando ser levantada. Eu até hoje tenho dificuldade de achar uma editora. Estava querendo publicar minhas obras completas mas os convites que aparecem são aviltantes, são terríveis. Eu acho que essa poesia caiu em descrédito por não ser essa coisa de especialista, ela estava baseada na vida, nas ruas, então você via e relatava isso, quase como um jornalista poético. A poesia retornou às universidades, então os poetas passaram a escrever para aquele público específico, porque os editores se juntam dentro do saber acadêmico. Se você foge disso, como nós sempre fugimos, a referência do saber universitário é a própria poesia. É inadmissível um poeta acadêmico não ter lido diversos livros de poesia em diversas línguas. Eu costumo dizer que os poetas dos anos 90 chegaram à conclusão que a vida não deu certo, então voltaram para a poesia. A vida é muito confusa, as pessoas respiram, elas tem emoções, então nada de pessoas. Vamos aos livros, onde a poesia está distante, lá ela não vai se mexer, se você ler ela não vai espirrar, não vai fazer nada, é uma coisa fria e distante, como é necessário para os cientistas que se utilizam dos bisturis. Este é saber especializado. Agora, a poesia começa a conversar com ela prórpia, ela é auto-referecial, o intertexto, está sempre se referindo a um outro texto, a um outro poeta, bem diferente da nossa experiência dos anos 70.
A internet é um facilitador para a poesia, não?
Com certeza. Quando você pensa em poesia como livro, existe um intermediário que é a editora. E quando você tem a editora é preciso estar mais ou menos dentro de um meio acadêmico, porque os editores respiram esse meio. É um tripé (academia, mídia especializada e as editoras) que forma um mundinho literário. E quando você sai disso você não é considerado. Hoje em dia a internet vai possibilitar novamente você não ter esse intermediário. Na prosa isso já se dá direto. Os grande novos prosadores estão todos começando nos blogs, tem uma turma forte no Rio Grande do Sul porque não tem que fazer essa intermediação. Não existe uma censura no sentido de estabelecer tendência e modelos.
Fale um pouco a respeito do Centro de Experimentações Poéticas (CEP 20.000), do qual você é produtor
É onde se reúnem artistas, poetas, músicos, uma vez por mês no espaço cultural da prefeitura do Rio de Janeiro. São cerca de seis atrações por noite, cada uma tendo cerca de 15 minutos, como uma coisa mais cabaré. Outra coisa extremamente revolucionária é o encontro, é um grande desafio você estar junto de outra pessoa, conversar e conhecer, ou seja, a pessoa é o grande aprendizado. Não vejo um livro que possa substituir o contato do encontro, da conversa. E por isso eu acho extremamente político, num certo sentido, inflamável, esse CEP 20.000. Já são 3 gerações de poetas e o público não envelhece, as turmas se renovam e tem aquele prazer de estar junto. Não é como sentar e ver um espetáculo, é uma coisa que subverte tudo isso. Você está aqui, logo depois você pode estar num bar, de lá segue para um posto de gasolina. A vida fica mais poética.
Qual é a sua formação acadêmica
Me formei em Comunicação na área de teoria da informação e editoração. E por acaso eu acabei mexendo com editoração e linguística. Eu tenho paixão pela linguagem, pelo signo verbal.
Como surgiu o nome Chacal?
Foi um apelido que eu memso me dei. Eu jogava vôlei na seleção carioca infanto-juvenil. Um dia acabou o treino, as pessoas foram tomar banho e eu me atrasei um pouco. As pessoas foram para a cantina e quando eu cheguei estavam todos comendo em silêncio, quando eu disse ''pô, que onda chacal'', que era um gíria da época que queria dizer algo do tipo ''por fora'', ''meio devagar''. E aí ficou. Isso já tem mais de 40 anos. Outra curiosidade é que antes de ser poeta eu era atleta e meu pai jogador do Fluminense. Eu tive o mundo dos esportes muito mais próximo do que o mundo literário e da cultura.

Serviço:
- O poeta Chacal também assina um blog (diário virtual) que pode ser acessado pelo seguinte endereço: http://chacalog.zip.net/

mockup