ENTREVISTA - A cultura em mãos conhecidas
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sábado, 03 de março de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Follha 
Curitiba - Depois de muitas especulações, a classe artística paranaense pode descartar uma mudança na Secretaria de Estado da Cultura. A secretária Vera Mussi, que assumiu o cargo na gestão anterior do governador Roberto Requião (2003 - 2006), aceitou o convite para permancer no cargo. Agora ela prepara novas estratégias para a sua nova gestão, mas ainda calcada na descentralização da cultura paranaense e numa política pública mais popular, principal característica desse governo. A secretária concedeu entrevista exclusiva à Folha2, onde faz um balanço da gestão anterior e fala sobre os planos futuros.
Que balanço a senhora faz da gestão que passou?
Nós tivemos muitos programas interessantes, alguns com ótimos resultados, como foi o caso da Biblioteca Cidadã. Hoje, o projeto é um sucesso no Paraná e já está tendo reproduções. O Tocantis está replicando a idéia e o estado do Espírito Santos também pediu o projeto. Obviamente estamos cedendo e pedindo apenas que se dê o crédito da autoria para o Paraná. Esse projeto, com certeza, continuará. São 22 bibliotecas em construção que fará um total de 70 inauguradas e mais 30 programadas para iniciar as atividades em 2008. Era nossa intenção levar para as bibliotecas, escritores paranaenses para discutir a questão do livro e incentivar a leitura. Mas com uma proposta da Celepar vai ser possível fazer uma espécie de teleconferências entre as bibliotecas. Então, quando levarmos um autor para uma biblioteca, todas serão beneficiadas.
Qual o custo desse projeto?
Cada biblioteca custa R$ 250 mil, já construída e equipada. Esse valor engloba a construção, o mobiliário e o acervo do espaço.
E como ficam as outras áreas da cultura paranaense? Os artistas de teatro, cinema e música estão sempre ansiosos para saber...
Eu sei. Um dos projetos é que vamos implementar as oficinas que estão acontecendo em todo o Estado. Cada oficina vai ter um produto final. Se fizermos uma oficina de música, no final vai haver um concerto e assim por diante. Já na questão do incentivo estamos iniciando, veja bem, iniciando, uma proposta de regulamentação do Fundo Estadual de Cultural. Porque o fundo já existe, mas não é regulamentado. A nossa idéia inicial é apresentar esse fundo em três módulos: Patrimônio, Projetos e Incentivo Cultural.
A partir de quando?
Nós já temos uma equipe da Secretaria e algumas pessoas que estão colaborando para formatar essa regulamentação. Mas quando tivermos o primeiro resultado, obviamente que vamos chamar a classe artística e a imprensa para apresentar a proposta. A comissão começou a se reunir há menos de um mês.
Se a senhora entregasse o cargo para outro secretário nesta nova gestão do governo - o que não vai acontecer - seriam quatro anos sem Lei de Incentivo, sem uma regulamentação nessa área de benefícios culturais por meio de renúncia fiscal. Como a senhora acha que isso seria recebido?
Essa proposta da regulamentação do fundo e lei estaduais de Cultura não é uma vontade minha, da secretária, é algo que vem sendo pensado. Não saiu da minha cabeça. Isso vem sendo conversado com representantes da classe há tempos.
Então a senhora considera que esses últimos quatro anos foi um tempo de estruturação nessa área? Nada aconteceu...
Na verdade, acho que a gente não conseguiu fazer muita coisa nesses quatro anos, mas acho que agora vamos nos dedicar mais a isso, a essa questão de poder ter esse fundo. Eu acho que realmente está na hora de fazer alguma coisa nesse sentido, tendo em vista que a nossa Lei de Incentivo, desde que eu entrei, está no Supremo e nunca tivemos nenhuma notícia nem para lá nem cá, sobre ela.
A senhora está satisfeita com a continuação do cargo?
Eu acho que é um desafio maior. Eu tenho consciência de que fiz o que era possível e que em alguns aspectos nós fomos muito bem, como o fato de ter conseguido descentralizar a cultura através das nossas representações regionais. Mas acho que também ficamos devendo em algumas áreas e o desafio agora é fazer o que não fizemos.


