Ele é do tipo que gosta de mágicas clássicas e garante que sabe tirar coelho da cartola e serrar mulheres ao meio. Nascido na Inglaterra há 75 primaveras, o mágico britânico Jack Jenkins ou Billy Jay como é conhecido artisticamente trocou o velho continente pelo Brasil - em nome do amor - e fixou residência em Londrina. Ele visitou esta semana a redação da FOLHA, contou a sua história, fez truques e esbanjou simpatia. O cara é uma figuraça, no melhor sentido da palavra.
Nascido na cidade inglesa de Newport, Billy Jay aprendeu a ser mágico aos 12 anos, porém, durante muito tempo se dedicou a lecionar. Foi professor de crianças do ensino primário. Com o tempo, aperfeiçoou seus truques e decidiu mergulhar no mundo dos shows. Ficou encantado. Foi para os palcos de pubs, para os teatros, para os estúdios de televisões. Viajou pelo mundo mostrando sua arte, algo que gosta de provar com dezenas de fotos em países dos cinco continentes. Conheceu gente importante e esteve lado a lado com astros do show business mundial, como John Lennon, por exemplo.
Porém, sua vida mudou quando encontrou Ivone, uma brasileira com raízes no Norte do Paraná. O encontro foi em uma cidadezinha chamada King's Lynn, a 100 km de Londres. ''Eu a vi observando uma igreja. Foi paixão à primeira vista'', conta. Trocaram telefones e passaram a conversar por meio da invenção de Graham Bell depois que Ivone voltou para o Brasil.
Um belo dia, Jay decidiu que iria pedi-la em casamento e veio para o Paraná. Encontrou Ivone em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), cidade que achou calma demais, muito diferente de todas as metrópoles que já visitou. Hoje, os pombinhos moram juntos em um apartamento em Londrina, onde estão há oito meses.
Agora, com a vida amorosa estabelecida, o mágico, que é fã de David Copperfield, quer mostrar sua arte aos pés-vermelhos. Questionado sobre o que está achando da cidade, ele se diz chocado com o fato de os brasileiros não se interessarem por teatro, por balé, por cultura. No entanto, está encantado com as churrascarias. ''Na Inglaterra não temos rodízio'', explica.
Quando o assunto é mágica, o gringo é fera com as cartas. Faz diversos truques utilizando um baralho. Porém, o que mais impressionou o repórter foi um em que ele faz uma chave se movimentar sem nada tocando nela sobre uma mesa. Mas há outros, todos capazes de deixar o espectador boquiaberto.
Feito um pedido para que ele revele pelo menos um segredinho de algum truque, Billy Jay diz que o mágico tem um compromisso de nunca revelar como faz sua arte ilusionista. ''E o Mister M?'', questiona o jornalista. ''É um idiota'', rebate ele, de primeira.
Fazendo questão de dizer que também é um caçador de talentos, com grandes contatos na Europa, para onde pode enviar bailarinos, cantores e atores descobertos por aqui, ele destaca que aceita convites para se apresentar em qualquer tipo de evento, mas ainda não sabe quanto cobrar pelo show, o que ele justifica dizendo que o dinheiro da Inglaterra é muito diferente do dinheiro do Brasil. ''Você coloca minha história na FOLHA e pessoas me conhecem. I no bobo'', finaliza, misturando inglês ao português.

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