Entrega do "Prêmio Estadão" vira celebração multicultural
São Paulo, 20 (AE) - O Sesc Pompéia foi palco, na noite de ontem, de uma grande celebração da cultura brasileira. Artistas plásticos, escritores, atores, diretores e centenas de integrantes da comunidade artística reuniram-se nas instalações da instituição para assistir à cerimônia de entrega da terceira edição do "Prêmio Multicultural Estadão". Na mesma noite foi inaugurada a exposição "Território Expandido", que faz uma homenagem aos indicados para o prêmio.
Por volta das 21h30, o ator Cássio Scapin subiu ao palco montado ao lado da exposição para apresentar os vencedores. Este ano, os escolhidos pelo colégio eleitoral de mais de 4 mil profissionais de todo o País foram o escritor Luis Fernando Verissimo, o músico mineiro Marco Antônio Guimarães, um dos fundadores do grupo Uakti, o diretor teatral José Celso Martinez Corrêa e o diretor da Pinacoteca do Estado, Emanoel Araújo, que venceu na categoria fomentador cultural.
Cada artista recebeu R$ 30 mil e uma escultura criada pela artista plástica Nina Moraes. O fomentador recebe apenas o troféu, por representar uma instituição. Os prêmios foram entregues pelo diretor-comercial do "Estado", Roberto Mesquita; pelo diretor-executivo da "Rádio e Gravadora Eldorado", João Lara Mesquita; e pelo diretor-responsável do "Jornal da Tarde", Fernão Lara Mesquita.
"O Prêmio Multicultural Estadão" foi criado com o objetivo de destacar artistas que contribuam para a transformação e enriquecimento do processo cultural do País. A edição deste ano foi marcada por alguns diferenciais, fato ressaltado por Yacoff Sarkovas, da Articultura, empresa responsável pelo planejamento e coordenação do prêmio. "Este ano quisemos deixar claro que a festa é para todos os indicados", informou Sarkovas.
E foi exatamente isso que os convidados e homenageados da noite viram. Nos telões espalhados pelo Sesc, os filmes produzidos por Sérgio Roizenblit mostravam depoimentos dos vencedores, antecipando a entrega dos troféus. Cada um a seu estilo, os artistas agradeceram pelo prêmio e exaltaram sua importância. Com a timidez habitual, Verissimo foi breve em seu discurso. "Sinto-me honrado, pela companhia desta noite e pelos demais premiados, principalmente pela forma como foi feita a escolha", afirmou o escritor, que chegara havia poucas horas de Paris.
Marco Antônio Guimarães preferiu dividir a homenagem com a classe artística. "Este prêmio não é só para mim, mas para a cultura brasileira", declarou o músico, que não se apresenta mais com o Uakti, dedicando-se atualmente à criação de trilhas sonoras para o cinema e elaboração de instrumentos musicais.
O discurso de Zé Celso foi, talvez, a grande atração da noite. Conhecido por suas performances inusitadas, o diretor uniu seu agradecimento a uma declaração inflamada contra a maneira como os mecanismos de gerência dos recursos são destinados à cultura. "Este prêmio tem um significado de inversão do jogo da cultura, pois enquanto nossa legislação permite que empresas decidam para quem vão entregar o dinheiro, o "Estadão" entrega o dinheiro para os artistas decidirem o que vão fazer", disse o diretor.
Para Emanoel Araújo, o "Prêmio Multicultural Estadão" privilegia o trabalho, a paixão e o compromisso dos que realizam algo público. "O operário da cultura não visa ao lucro, mas à contribuição e à transformação, que fazem com que se possa exercer a cidadania neste País que tanto precisa", comentou.
Na opinião de Roberto Mesquita, a terceira edição do prêmio mostra a vocação do "Estado" para apoiar a cultura brasileira, confirmada pela maneira como são escolhidos os vencedores. "Isso demonstra a grandeza e a importância que o prêmio tem hoje para todo o País", observou o diretor-comercial.
Para confirmar a tradicional ligação da empresa com a cultura, João Lara Mesquita lembrou do Prêmio Saci e o "Eldorado", criados na década de 60. "É importante destacar que todas as áreas da cultura são contempladas, sem distinção", ressalta.
O diretor de Marketing do "Estado", Guilherme Sztutman
enfatizou a participação do Sesc, "que valorizou o evento e enriqueceu a cerimônia convidando 14 artistas plásticos para homenagear os indicados".
A exposição "Território Expandido", que permanece em cartaz no Sesc até o dia 6, reúne esculturas, objetos, instalações e obras criadas especificamente para o local da mostra. Segundo a curadora Angélica de Moraes, a idéia foi "propor um diálogo com obras de arte, com ressonância no público pela rica trama de significado envolvida no conjunto".
A reação dos artistas premiados diante das obras criadas em sua homenagem foi variada. Verissimo, após analisar a obra "Mesa Posta", de Daniel Acosta, que lembrou o lado gourmet do escritor com uma mesa em chamas, comentou, com bom humor : "Deve ser porque torro a paciência de todo mundo com o que eu escrevo."
Zé Celso, bem menos comedido que Verissimo, foi além de um simples comentário: atirou-se na frente do "objeto-estandarte" criado por Carmela Gross e beijou o chão. "Não conhecia a artista pessoalmente e, de repente, ela me dá este presente, este espelho lindo; o Brasil precisa de muito vermelho", comentou o diretor, referindo-se à cor da obra.





