‘‘Lourival Tavares - Ao Vivo’’ (CPC-Umes) é um registro do show ‘‘Na Colheita dos Versos’’, realizado no teatro da Umes, há dois anos, mas o disco só agora foi lançado. Lourival é um cantador à maneira de Vital Farias, a quem faz, às vezes, lembrar. Ecoa, lá no fundo, o mesmo travo mourisco que embala a trova de Elomar Figueira de Melo.
Descendo ao Sudeste, encontram-se os ‘‘Mexericos da Rabeca’’ (Cântaro), de José Eduardo Gramani, conversa de rabeca e cravo (por Patrícia Gatti) com eventuais intervenções vocais de Ana Salvagni, letrista da Seresta de sabor antigo cujos versos pedem: ‘‘E cuida que a manhã jamais termine em mim’’.À parte a beleza musical, o CD é um belo objeto, projeto gráfico cuidadoso, que substitui a caixa plástica por um livro de bonitas fotos.
Gramani usa, ao longo das 17 faixas, rebecas de três estados - a Deodora, construída por Nelson dos Santos, de Alagoas, a Martinho dos Santos, de Morretes, no Paraná, a Aninha, de construtor desconhecido, de Iguape, em São Paulo, de onde é também a rebeca Seu Arão Barbosa, e a Fernando Vanini, esta construída com bambu, com sonoridade muito especial, em Campinas, São Paulo. Trocado o instrumento, abre-se coleção de cores novas, universos encantados, em temas do próprio músico e outros recolhidos do cancioneiro popular.
Já as impressões visuais são o assunto de Ivan Vilela, violeiro consagrado, no CD ‘‘Paisagem’’ (independente), lançado semana passada, juntando pontas soltas da tradição da música do interior de São Paulo e Minas Gerais, principalmente, mas não deixando de lado o Nordeste de Gonzaga (Asa Branca soa como toada sertaneja; é sertão, afinal). O quinteto que acompanha Ivan tem percussões, rabeca (uma delas construída por Zé Coco do Richão), violão, flautas, cuidadoso trabalho do instrumentista também arranjador.
‘‘A Concertoria’’ (CPC-Umes) de Ney Couteiro é junção de concerto e cantoria. Sina de cantador, como diz Dércio Marques no texto que apresenta o disco, que começou a ser feito há três anos, Ney canta e toca violão acompanhado por violinos, viola, cello, oboé, percussões, coros, pela definição da sonoridade dos sertões naquele conceito armorial ditado há 30 anos por Ariano Suassuna. Nosso brilhante sertão de câmara.

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