Shows de Rosa Passos em Londrina comprovaram toda a qualidade musical da artista, mas um ‘‘incidente’’ entre o público e a cantora no sábado arranhou o brilho da segunda apresentação
Ok, repreensão foi generalizada, incômoda até. A grande maioria do público que compareceu sábado, ao segundo show da cantora e compositora Rosa Passos, no Royal Golf Residence, em Londrina, se comportou de maneira extremamente reverente, educada, cortês. Agora, algumas pessoas – pouquíssimas, digamos – acabaram, de acordo com a artista, por tirar sua concentração com comentários fora de hora e atitudes que não proporcionaram a mesma empatia, calor e rendimento artístico da sexta-feira, quando aconteceu o primeiro show. Um artista – independente de temperamento – sabe quando algo em pleno show está lhe causando desassossego. E Rosa nunca foi uma estrela, não dessas que têm chiliques que beiram a espamos musculares por motivos banais. Aconteceu, infelizmente aconteceu de ela precisar soltar o verbo. É o tal negócio: o todo pagou por alguns. O todo não merecia. Têm o direito as pessoas que lá estiveram para apreciar a arte de Rosa Passos de terem voltado para casa decepcionadas com a bronca. Mas a grande maioria do público que compareceu sábado ao show teve uma amostra do talento dessa senhora cujos méritos artísticos são inquestionáveis. E foi por respeito a essas pessoas que Rosa voltou ao palco e cantou novamente.
Chacoalhões verbais à parte, a iniciativa do Royal Golf (Club House), através da Teixeira & Holzmann, de trazer Rosa Passos a Londrina tem que ser reconhecida, aplaudida. O Royal Golf in Concert é um projeto louvável que deve ter continuidade até porque Londrina, como se sabe, não pode saciar a sede apenas com modismos. Pois muito bem, os shows de Rosa Passos!! Se na sexta-feira, a platéia foi participativa, no sábado o público foi contemplativo – mesmo sob chuva, frio e broncas.
Apesar do puxão de orelhas no sábado – nem todos mereciam, frisemos – Londrina teve o prazer de ver ao vivo e em cores um artista do calibre de Rosa Passos e sua batida inconfudível ao violão e sua maneira peculiar em redesenhar harmonicamente canções conhecidas – ‘‘O que é que a Baiana Tem’’ (Caymmi) e ‘‘Cigano’’ (Djavan) são dois dos exemplos. A ‘‘cozinha’’ instrumental que ela trouxe a Londrina é de excelente qualidade – quatro músicos maravilhosos. Destaques para Marcus Teixeira na guitarra e o baixista Zeli.
No entanto, quando Rosa pegou o violão é que se pôde perceber a diferença entre ser intérprete e instrumentista. Rosa é, sobretudo, uma intérprete em todos os sentidos – quem a ouviu percebeu. Como para bom entender um risco quer dizer Francisco, palavras não cantadas não valem. Ou seja, a arte deve sempre se sobrepor a desavenças – seria desmerecer ou não reconhecer que por trás de densas palavras existe uma artista competente, prestigiada em vários lugares do mundo. O bom público – a grande maioria, frisemos novamente – certamente vai saber eliminar o ‘‘incidente’’ e absorver apenas a qualidade musical obtida nos dois dias de apresentação da cantora e compositora baiana.

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