Entre retratos e abstratos
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de setembro de 1998
Da Redação 
ReproduçãoObras do pintor russo Wladimir Krivoutz, considerados um dos expoentes máximos do impressionismo e que viveu no Brasil de 1946 até seu falecimento em 1972, estarão expostas a partir de amanhã, na galeria LAntiquario, em São Paulo. A mostra é uma retrospectiva de sua carreira e as obras expostas estarão à venda, por preços que variam entre R$ 3 mil e R$ 15 mil. Os trabalhos podem ser vistos até o dia 24 de outubro.
Cerca de 20 anos depois da última exposição de suas obras - uma retrospectiva realizada no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1976 - o nome de Krivoutz já não está tão em evidência no Brasil, porém a qualidade indiscutível de suas obras continua sendo reconhecida internacionalmente. O talento do artista está registrado com destaque no E. Benézit, o dicionário dos pintores, escultores, desenhistas e gravuristas de renome no mundo todo. Suas pinturas fazem parte de acervos de museus de Arte Moderna de Londres, Paris, Bayonne e Madri.
ReproduçãoDuas telas de Wladimir Krivoutz: nos últimos anos de vida, o artista trabalhou intensamente chegando a pintar de três a quatro quadros ao mesmo tempo. A tela à direita (1935) marca a fase em que o pintor deixa o academismo e envereda pelo impressionismoConhecido inicialmente como um grande retratista, Wladimir Krivoutz tornou-se, com o tempo, um dos maiores abstracionistas. Seus quadros desta fase, produzidos entre as décadas de 50 e 60, passaram a ser cada vez mais apreciados porque mantêm sua característica de atualidade, seguindo um estilo pós-impressionismo sério e dramático, condizente com seu temperamento contemplativo, filosófico e introvertido.
Nascido em St. Petersburg, na Rússia, Krivoutz estudou na Escola de Belas Artes de Paris. Após sua formatura, em 1922, conquistou o Grand Prix de Roma, o mais ambicionado prêmio de pintura da época, com direito a um ano de trabalho subsidiado na Itália. Preferiu, no entanto, o prêmio do segundo lugar: uma longa viagem à China, Indochina e Índia. De volta à França, em 1925, obteve a Medalha de Ouro no Salão de Artistas Franceses, além de um grande destaque em sua participação no Salão de Outono como decorador de casas de espetáculos, cenógrafo e desenhista de figurinos. Em Paris, conheceu e casou-se com a Princesa Irene Menchinkoff, que também trocara a Rússia pela França durante a revolução de 1917.
Quando eclodiu a 2ª Guerra Mundial, o artista não hesitou em largar as tintas e os pincéis para, com a esposa, entrar na Resistência Francesa. Terminada a guerra, decidiram deixar a Europa por um país novo, que oferecesse paz, clima ameno e belas paisagens. Por sugestão de um amigo americano, escolheram o Brasil. Fixou-se em São Paulo depois de conhecer o país de norte a sul. Em 1952, naturalizou-se brasileiro.
Retrospectiva de Wladimir Krivoutz, de 22 de setembro a 24 de outubro, na galeria LAntiquario (rua Padre João Manuel, 1050, fone 011-852.3860), em São Paulo. Pode ser visitada de segunda à sexta das 10 às 19 horas, e aos sábados, das 10 às 14 horas.


