Entre o vandalismo e a arte
O termo grafite deriva do grego graphein (escrever) e nada mais é do que desenhos feitos na parede, simbolizando algo e sendo acessível imediatamente ao público. Embora já encontrados em Pompéia, no Área Domus do Imperador Nero, na Vila Hadrian em Tívoli e até na civilização Maya, o grafite é normalmente associado aos centros urbanos do século 20. O grafite ou spraycanart arte da lata de spray varia de simples marcas na parede a complexas e coloridas composições.
Por causa da natureza ilícita do grafite, o uso de latas de tinta é impraticável, tornando-se necessário o uso de latas de spray para que o desenho seja feito de maneira rápida (além da facilidade de carregar as latinhas de spray). Normalmente os desenhos são feitos com diferentes tamanhos de aplicadores para se detalhar os desenhos. Como as demais artes pictóricas, o grafite constitui um canal aberto entre os grafiteiros e as pessoas que apenas observam o desenho pronto não é necessário um diálogo entre um e outro, os desenhos normalmente falam por si.
Existem três formas de grafite: o grafite político, o grafite ligado às gangs(normalmente ilegível, onde apenas os indivíduos daquela área sabem o significado), e o grafite Hip-Hop ou New York Style. O New York Style se originou nos desenhos que eram feitos no metrô de Nova York que durante os anos 70 e se espalhou pelos grandes centros dos EUA e no mundo inteiro, especialmente na Europa. Os artistas podem ou não pertencer a uma gang. Seus trabalhos variam de simples trabalhos monocromáticos chamados em inglês tags ou desenhos mais elaborados, os pieces.
Como o grafite deixou de ser apenas arte de rua, e começou a frequentar até mesmo galerias de arte (em Sampa, o Museu de Imagem e Som (MIS) e a Bienal de Artes já apresentaram trabalhos de alguns grafiteiros), criou-se uma grande controvérsia no meio intelectual brasileiro, indagando se o vandalismo poderia ser considerado arte. Apesar da grande explosão do grafite nos EUA (onde se destacaram Keith Haring e Basquiat), os maiores artistas hoje são de países latinos: Porto Rico, Colômbia, Bolívia e Costa Rica, onde nomes como Miguel, Sandra e Futura são de extrema relevância.
No Brasil, São Paulo e Brasília são os pólos do grafite. Em Londrina,o movimento se iniciou em meados dos anos 80. Segundo André Galvão, um dos precursores do grafite na cidade, tudo começou com os trabalhos do artista plástico Sato e de Cristian Steagan Condé. Hoje o grafite está se disseminando entre os membros do Hip Hop, nas periferias da cidade. (R.S.G.)





