France Presse
Paul McCartney está lançando, com duas semanas de intervalo, dois discos de estilos musicais radicalmente opostos: o primeiro é consagrado ao rock de seus anos de juventude (‘‘Run Devil Run’’); o outro, esperado para 18 de outubro, é um registro de música de câmara (‘‘Working Classical’’).
Com ‘‘Run Devil Run’’ (Capitol/EMI), o ex-Beatle, de 57 anos, rende homenagem a seus mestres da juventude (Ricky Nelson, Gene Vincent, Larry Williams, Elvis Presley, Little Richard), retomando uma dezena de temas do rock dos anos 50/60: ‘‘Lonesome town’’, ‘‘Blue Jean Bop’’, ‘‘All Shook Up’’...
O disco apresenta ainda três novidades, composições pessoais em forma de exercício de estilo, entre elas a que dá título ao disco, uma espécie de homenagem humorística a Chuck Berry.
Na obra de McCartney, este disco é comparável à homenagem que seu colega John Lennon fez, há 25 anos, aos pioneiros do rock, no álbum ‘‘Rock And Roll’’. É como uma continuação do seu ‘‘Russian Album’’, lançado em 1988 e também composto de antigos temas do rock.
‘‘Reuni 25 canções das quais me lembro, a maioria eram antigas e obscuras músicas de lado ‘‘B’’ que interpretávamos com os Beatles porque não tínhamos um repertório maior’’, explica McCartney, que afirma ter querido ‘‘recuperar o espírito’’ desses anos com este álbum, que foi gravado em cinco dias, em meados do ano, nos estúdios Abbey Road de Londres, onde os Beatles gravaram a maior parte de sua obra.
Para este retorno à juventude, o baixista e cantor esteve acompanhado de outros três músicos veteranos, David Gilmour, do Pink Floyd (guitarra), Mick Green, guitarrista de um legendário grupo britânico dos anos 50/60 (Johnny Kid and The Pirates) e o baterista do Deep Purple, Ian Paice.
No rumo oposto a esse exercício pop, McCartney lança ‘‘Working Classical’’ (EMI Classics), seu terceiro álbum de música clássica depois de ‘‘Liverpool Oratorio’’ (1991) e ‘‘Standing Stone’’ (1997). O disco traz 14 composições, três delas interpretadas pela London Symphony Orchestra. A orquestração foi possível com a ajuda dos diretores Richard Rodney Bennett e Jonathan Tunick.
Vários dos temas do disco já foram interpretados, por ocasião de uma cerimônia dedicada à sua esposa, Linda, que morreu de câncer em 1998.
Todas as composições do disco serão interpretadas em 16 de outubro, em Liverpool, pela Royal Philharmonic Orchestra, sob a batuta de Andrea Quinn e na presença de Paul McCartney.
O primeiro álbum clássico do ex-Beatle, ‘‘Standing Stone’’, chegou a ocupar o primeiro lugar na lista dos discos clásicos mais vendidos na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.

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