São Paulo - Selton Mello, 38 anos, leva aos cinemas a partir de hoje o filme ''O Palhaço''. Em sua segunda experiência como diretor de um longa -a primeira foi no denso ''Feliz Natal'' (2008)-, ele resolveu falar sobre um assunto que tenta entender há quase 30 anos: a arte do ator. Não à toa, escolheu como protagonista um palhaço. ''Trata-se do artista em seu estado mais primitivo. Por isso, todo o mundo se identifica com ele'', explica o cineasta.
No filme, o palhaço Pangaré (Mello) entra em crise. Ele é o chefe de uma trupe circense mambembe, ao lado de seu pai, o também palhaço Puro Sangue (Paulo José). ''Embora não seja autobiográfico, eu me identifico bastante com o Pangaré. Há 30 anos, penso em desistir da carreira, mas sempre estou em busca de algo novo.''
Para a produção, Mello, que não era um conhecedor profundo da arte circense, contou com a colaboração da pesquisadora Alessandra Brantes e do ''personal palhacetor'' palhaço Kuxixo. ''Eles me apresentaram livros e filmes sobre o circo. Depois de me apropriar de todo esse conhecimento, tive de esquecer de tudo para criar o meu palhaço'', diz.
Assim, o que se vê no filme é um palhaço com um olhar triste, mesmo nos momentos em que tenta fazer o ''respeitável público'' rir e sonhar. Aliás, em ''O Palhaço'', Mello quis fugir da realidade violenta e da risada escrachada dos filmes nacionais mais recentes. Seu segundo longa é uma prova de que delicadeza é bem-vinda e ainda tem espaço no cinema nacional.

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