Entre o rio e ruínas
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de junho de 1997
Danielle Brito Especial para Folha Turismo 
fotos: Danielle BritoAs pequenas embarcações dos pescadores cortam o rio, passando por um grande manancial de manguezais que escondem uma fauna rica em caranguejosO rio Benevente que corta Anchieta presenciou a transformação do pequeno aldeamento indígena à pólo turístico e religioso. Da cela em que o padre José de Anchieta fazia suas orações no alto da cidade histórica pode-se ter uma visão poética de uma das curvas do rio que desemboca no mar. O passeio pelo Parque Fluvial formado pela Estação Ecológica Papagaios e pelo exuberante mangezal do Benevente é programa quase obrigatório para os turistas que visitam a cidade.
As pequenas embarcações dos pescadores de camarão levam em média nove passageiros e cortam o rio passando por seu grande manancial de manguezais que escondem uma fauna rica em caranguejos de várias cores. A diferença no pigmento se deve aos diferentes tipos de mangue encontrados na região. Nos bosques de Anchieta encontram-se os mangues branco, negro e vermelho, utilizado pelos índios para dar cor aos objetos de cerâmica. A área dos manguezais é protegida pela Brigada de Educação Ambiental da Prefeitura que guarda o mangue dos saqueadores de madeira e orienta para que só os caranguejos machos sejam capturados.
As Ruínas: 32 colunas monumentais de uma possível salina escondida em um bosque de eucaliptos
Entrando pelo rio Salinas, afluente do Benevente, o barco faz uma parada para a visita às ruínas descobertas a poucos anos. São 32 colunas monumentais de uma possível salina escondida em um bosque de eucaliptos cerca de 300 metros da margem do rio. Um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo derrubou a hipótese de que tratava-se de uma igreja jesuítica de catequização. A tese mais aceita é de que a construção feita de conchas trituradas e óleo de baleia abrigou uma salina clandestina, construída no século 17. Nessa época, a aldeia de Requitiba exportava peixe salgado. Porém não foram encontradas notas (fiscais) de sal, afirma o professor Elias Rodrigues, profundo conhecedor da história da região. O estudioso acredita que depois de desativada, a fábrica deu lugar a uma missão jusuítica para atrair os selvagens índios botocudos. Existem vestígios de 3 mil índios nesta área. Foram encontrados pedaços de carvão, pontas de flechas e batons que os índios usavam para as pinturas, informa. A empresa mineradora, proprietária da área na qual fazem parte as ruínas, pretende pôr em prática um projeto turístico para melhorar a estrutura à visitação com ancoradouro para os barcos e passarelas de acesso.
Voltando ao Benevente o percurso quase sempre ganha a companhia de garças, socós, marrecos e papagaios. Pode-se avistar do barco a Ilha dos Papagaios, onde essas aves fazem os ninhos. Mas o ponto alto do passeio, já na descida do rio, fica por conta da revoada das garças migratórias, sempre as cinco e meia da tarde. As aves se reúnem numa pequenas ilha que fica em poucos minutos tomada pelo branco alvo das penas das garças. Se tiver sorte, o visitante pode acompanhar o encontro das garças com um pôr-do-sol privilegiado visto do Benevente. Cada grupo de nove pessoas paga R$ 25 pelo passeio.


