O ponto de partida de qualquer programa de televisão é uma boa ideia. Porém, para ir ao ar, a produção depende do encontro entre escolhas artísticas e opções estéticas com a gerência dos recursos financeiros e limitações práticas do produto. Para reunir as visões de mercado e entretenimento, surge o diretor-geral de produção, figura importante no organograma das emissoras nacionais.
''Ao assumir essa função, é preciso ficar atento para atender as expectativas da empresa com qualidade artística e êxito comercial. E do público, que precisa se identificar com o programa'', acredita José Alvarenga Jr, o mais novo diretor de núcleo da Globo, responsável por séries como ''Macho Man'' e a temporada atual de ''Malhação''.
A divisão por núcleos do setor de produção da Globo ocorreu no início dos anos 90, quando as novelas e shows deixaram de ter conceitos e capital centralizados apenas nas mãos de Boni e Daniel Filho e passaram a ter vários diretores no comando de diferentes produtos. ''Diretores tradicionais e de destaque dentro da casa foram assumindo os núcleos. A função nos deu certa autonomia de criação, mas exigiu versatilidade, já que nem sempre é possível desenvolver apenas projetos autorais'', explica Guel Arraes. Famoso por séries e projetos especiais ligados ao humor, como ''TV Pirata'' e ''Os Normais'', Guel hoje concentra-se no conteúdo do novo programa de Fátima Bernardes - ainda sem nome -, em que divide a direção de núcleo com Maurício Farias.
Mais conhecidos pelas novelas, nomes como Roberto Talma, Jorge Fernando e Ricardo Waddington veem com bons olhos esse passeio por projetos diversificados. Paralelamente ao trabalho nos remakes de ''O Astro'' e ''Gabriela'' - que tem estreia prevista para meados de junho -, Talma também cuida do ''TV Xuxa'' e de especiais como ''Caetano, Gil e Ivete'', exibido no fim do ano passado.
A estreia na Globo foi em 1975, e depois de sair da emissora no final dos anos 90, ele voltou em 2001 para assumir a direção de núcleo de ''A Padroeira'' depois da morte de Walter Avancini, responsável original da obra. ''Sou o intermediário entre o trabalho da área de criação - autor e diretor - e a direção executiva da emissora. Fora isso, utilizo minha experiência dentro e fora da Globo para dar minhas sugestões'', destaca Talma, que no período que passou afastado da emissora, assumiu o cargo de diretor de teledramaturgia no SBT.
Em emissoras como Record, SBT e Band, a área de dramaturgia e shows tem hierarquia menos complexa. Geralmente, o elo entre o artístico e o executivo está na mão de apenas uma pessoa. Na Record, Hiran Silveira é quem fala mais alto nas produções do RecNov, complexo de teledramaturgia da emissora, no Rio de Janeiro. No SBT, a função é do ex-global Reynaldo Boury, responsável por sucessos como ''Tieta'' e ''Selva de Pedra'' na antiga emissora. ''Já fiz de tudo em novelas. Por isso, acho ótimo participar de um projeto sério como o proposto pelo SBT. Acabamos de lançar 'Carrossel' e já tenho outros projetos para avaliar e implantar'', ressalta Boury que, ao lado da diretora artística Daniela Beyruti e do diretor financeiro Leon Abravanel, quer dar visibilidade e força à dramaturgia do canal.
Sem grandes investimentos em séries e novelas, mas com uma linha de shows cada vez mais disputada, a Band concentra no argentino Diego Guebel a responsabilidade de toda sua programação, desde que ele assumiu o cargo de Diretor Geral de Conteúdo, no ano passado. Coincidência ou não, o diretor é fundador da Eyeworks-Cuatro Cabezas, produtora responsável pelo formato de vários programas da grade da Band, como o investigativo ''A Liga'' e o ''CQC''. ''Minha função vai além de apenas dirigir programas ou reformar a grade da emissora: avalio e crio os formatos, implemento cada um deles com atenção e vou revendo os programas mais antigos'', assume Guebel.

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