Entre o palco e a cozinha
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
O ator Áldice Lopes está num momento de sua vida em que a prioridade, temporariamente, não é dos palcos, mas da sala de aula: ele é aluno da PUC na faculdade de Filosofia Letras Inglesas. Mesmo assim anuncia que voltará à cena no segundo semestre com uma adaptação do poema de Edgard Alan Poe, O Corvo, dirigido por Edson Bueno. O gosto pelas artes, no entanto, o acompanha. Como gosta de cozinhar, ele dá nomes que imagina teatrais para seus pratos. Ou então, que tenha laivos de nobreza.
Por essas e outras é que ele batizou de Frango ao Molho Francês uma receita de fácil preparo, mas saborosa. Os amigos aplaudem, garante. Entre palcos e platéias, o certo é que a cozinha é também um espaço teatral, como diz Lopes. Ele descobriu o gosto de cozinhar há cinco anos quando precisou ir ao médico e entrou num regime colossal. Eu comia uma besteira aqui, outra ali e quando fiz um check-up estava péssimo. O médico me proibiu de comer muita coisa. Aí então, como não tinha restaurante dentro desse perfil mais light, achei por bem eu fazer a minha comida. Foi uma descoberta gratificante, comemora.
Estar na cozinha é tão fascinante quanto estar em cena, compara. Ali você também trabalha com a elaboração, a criação, a descoberta de novos paladares. Aproxima-se muito da minha profissão. Assim como acontece com seus personagens, aos quais procura dar o melhor de si, na alimentação ocorre a mesma coisa. Gosto de fazer uma comida que tenha sofisticação, afirma. Ao contrário do que muita gente pode pensar, não é preciso desembolsar muito dinheiro.
O ator garante que tudo que ele faz passa pela sofisticação, beleza do prato e, principalmente, pelo sabor, mas é imprescindível que tenha um custo pequeno, seja acessível. Ele é cliente de um mercadão onde compra verduras, legumes, frutas, peixes. A cozinha é divertida, é um enorme prazer, acrescenta.
Sem modéstia confessa que vários pratos que prepara poderiam muito bem levar prêmios como o Gralha Azul, Shell, Mambembe... O frango que preparou para a Folha e um peixe com alcaparras, espinafre e cebolas mereceriam esses troféus. Por falar em frango, ele dá um conselho: não se deve mexer nos pedaços, depois de levar ao fogo. Tem que deixar ele repousando até ficar no ponto, decreta.
A receita que preparou para esta coluna é acompanhada de arroz branco e purê de cenoura: O purê pode estar presente em outros pratos, é de preparo facílimo e dá um todo especial.


