Entre o novo público e uma boa memória
A inauguração da nova sede da Cinemateca de Curitiba motivou declarações de algumas personalidades da área cultural. A secretária da Cultura, Lúcia Camargo, fez questão de lembrar que o jornalista Aramis Milarch esteve junto do cineasta Valêncio Xavier na empreitada de erguer a Cinemateca, há mais de 20 anos. A partir dela deu-se ênfase ao cineclubismo e a outros movimentos das artes audiovisuais em Curitiba. É um marco em termos audiovisuais, isso não tem discussão, afirmou.
O videomaker Paulo Munhoz entende ser fundamental uma cinemateca na cidade, principalmente nessas condições. Entusiasmado com o projeto, visitou a obra quando ainda estava em fase de construção. O prédio, com salas climatizadas para o acervo, está em condições ideais. Acho que tem que ser bem visto o gerenciamento do novo espaço, para que a Cinemateca seja um ponto de agitação cultural. Ela deve funcionar como um pólo de atração para o público.
Visão contrária à de Paulo Munhoz é a de Celina Alvetti, professora de Cinema e chefe do Departamento de Comunicação Social da Puc-Pr. Vejo a Cinemateca muito mais como um centro de preservação histórica do que propriamente de formação de público, disse. Tomara que a proposta da nova Cinemateca se cumpra de forma democrática.
O professor de Cinema da UFPR, Hugo Mengarelli, igualmente observou que agora abre-se a possibilidade de se ter realmente um lugar onde enncontrar a memória do cinema paranaense. A Cinemateca é fundamental, não só importante. E mais: é preciso que seu trabalho tenha continuidade.
Para o cineasta Fernando Severo, assim como a Cinemateca dos anos 70 e 80 possibilitou o surgimento toda uma geração de cineastas, a que estréia uma nova fase deverá repetir o feito anterior. A Cinemateca fundamenta um trabalho orientado para a exibição e preservação da cultura. Além disso, o novo projeto dá condições para exibir os trabalhos dos produtores locais.
Francisco Alves dos Santos, ex-diretor da Cinemateca do Museu Guido Viaro, adiciona à história da velha sede uma visão de resistência político-cultural nos anos de chumbo. Ela nasceu como um reflexo de uma sociedade que rompia as amarras da ditadura militar. Ela representou um novo tempo para o cinema paranaense.
O cineasta Sylvio Back puxa para si o mérito do nascimento da primeira Cinemateca de Curitiba porque entre 1967 a 1975 ele guardou em seu apartamento cerca de 20 latas com rolos de filmes em nitrato, com uma cópia de Pátria Redimida. Conseguiu esse material depois de passar meses fuçando o galpão onde Groff guardava centenas de latas com a história do Paraná dos últimos 50 anos.





