Nelson Sato
Computadores numa sala, violões em outra. Nas duas, turmas distintas de alunos aperfeiçoam seus conhecimentos junto ao professor carioca Josimar Carneiro, convidado para ministrar os cursos de ‘‘Informática Aplicada à Música’’ e ‘‘Violão Popular’’ no 19º Festival de Música de Londrina.
É a terceira vez consecutiva que ele participa do evento. Josimar, 33 anos, é professor de arranjo e técnicas instrumentais na Universidade do Rio de Janeiro (UniRio) e integra o grupo de choro Água de Moringa, premiado este ano com os prêmios Sharp nas categorias Música Instrumental e Arranjo.
Com o grupo, já gravou os CDs Água de Moringa (94) e Saracoteando (98), ambos produzidos às próprias custas e distribuídos no exterior por selos da França e dos Estados Unidos. O repertório do grupo mescla choro instrumental e camerístico. ‘‘Tocamos tanto o varandão, o choro de botequim do subúrbio do Rio, quanto suítes nordestinas de Guerra Peixe para piano’’, sublinha ele.
Não foi desta vez, porém que Josimar veio acompanhado do grupo para se apresentar no Festival. Na condição de professor, ele tem as manhãs e tardes tomadas com as duas turmas de alunos. No curso ‘‘Informática Aplicada à Música’’, como o próprio nome sugere, ele aborda a utilização da tecnologia digital na produção musical, trabalhando com sequenciamento MIDI e notação na partitura.
Na primeira parte, apresenta noções de música programada. ‘‘O MIDI funciona como um gravador de múltiplos canais que registra sequências’’ - explica o professor. ‘‘É uma ferramenta útil para composição, feitura de arranjos e educação musical. Hoje em dia está bastante disseminada. Se você já viu um sujeito numa churrascaria sentado diante de um teclado, pode ter a certeza de que o que ele estava tocando era arquivo MIDI.’’
Notadamente para o trabalho de criação, o recurso propociona a audição da própria composição em tempo real facilitando alteração de timbres, intensidade, velocidade etc. Mas embora louve a parafernália eletrônica disponível ao artistas, Josimar ressalva que o computador tem limitações. ‘‘Ele é um recurso a mais de trabalho, mas não se compara à execução de um músico. A diferença de timbres, na forma final, é muito grande’’ - compara.
Ainda no curso, Josimar aborda a notação musical enfocando a reprodução de partituras através de computador. Os alunos estão aprendendo que essa tarefa, antes feita demoradamente à mão pelo copista, foi facilitada com a digitalização. Escrever ou copiar pautas, notas e chaves ficou fichinha à frente da tela do terminal. O que antes se arrastava por horas ou dias, passou a ocupar apenas alguns minutos.
Josimar lembra que todo esse aprendizado está sendo ministrado numa sala da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), que lhe cedeu 30 terminais de computador instalados em rede, um projetor e mais um funcionário à disposição para operar os PCs. ‘‘É um suporte que não encontro nem no Rio’’, diz, empolgado.
Também entusiasmado com o curso de Violão Popular, ele tem dividido a atenção dos trinta alunos inscritos com o professor Luis Otávio Braga. ‘‘Estamos trabalhando com várias áreas de interesse’’, observa. ‘‘Há gente iniciante, meninos que estão nos primeiros passos do violão; há um grupo estudando repertório solo; e duas turmas interessadas em levadas, grooves, acompanhamentos rítmicos.’’
O curso é teórico-prático abrangendo aperfeiçoamento de técnica, noções de harmonia (encadeamento de acordes), leitura de cifras (símbolos representativos dos acordes) e pesquisa de ritmos (entre os quais samba, samba-canção, choro, valsa, xote, polca, mazurca, bossa nova, maxixe, frevo e marcha-rancho).
Josimar salienta que alguns alunos inscrevem-se no curso achando que o violão popular, por ser popular, prescinde de estudo. ‘‘É um engano’’, diz. ‘‘Você pode tocar violão erudito, popular, rock, o que for; mas acima de tudo tem que saber escala, arpejo, tem que ter técnica. As pessoas custam a entender que o violão exige estudo, muito estudo.’’O músico e professor carioca Josimar participa do festival de música ministrando os cursos de Informática Aplicada à Música e Violão Popular
Mario CésarJosimar Carneiro: ‘‘O computador é um recurso a mais de trabalho, mas não se compara à execução de um músico’’

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