Entre o bem e o mal
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 2015
Raquel Rodrigues<br>TV Press 
O prazer que sente em atuar está estampado no rosto de Julia Konrad. A atriz pernambucana, que estreou na tevê em "Geração Brasil", se diverte como se estivesse solta em um parque de diversões enquanto interpreta. Prova disso é a euforia com a qual encara seu novo papel como a dúbia Ciça de "Malhação". "Estou feliz mesmo. É uma oportunidade grande de mostrar muito trabalho, já que a Ciça é complexa. Tem camadas de maldade e bondade. E, ao mesmo tempo, é uma personagem que tem um 'pé' na música, que sempre esteve presente na minha vida", comemora.
Na história, Ciça é uma jovem cantora em busca da fama. Logo no início da trama, perde o namorado João, de João Vithor Oliveira, em um acidente de carro. Não bastasse esse trauma, a garota é atropelada e corre o risco de ficar sem o movimento das pernas definitivamente. Então, ela tenta se aproximar de Rodrigo, de Nicolas Prattes, e jogá-lo contra Luciana, vivida por Marina Moschen. "Acho que a minha personagem foi sorteada. Colocaram todos em uma sacola e a tiraram para passar por tudo. Ela ainda vai viver vários dramas", adianta.
Apesar de ter outras novelas no currículo, Julia já percebeu que o público que acompanha "Malhação" é diferente do que assiste aos outros folhetins. Como a maioria dos espectadores da trama é de adolescentes que condensam toda a sua energia para defender seus personagens preferidos, a atriz já tem recebido um retorno positivo de seu trabalho. "É muito bom poder receber esse carinho, essa resposta. Eles são muito sedentos de informação, mas também são generosos com o que pensam e desejam da história. Os fãs torcem muito e odeiam também. Mas não chegou a me assustar", avalia.
A preparação de três semanas com o argentino Eduardo Milevicz antes do início da temporada ajudou a atriz na composição da personagem. Além disso, o workshop criou um clima de intimidade entre o grupo de atores que ficará no ar até o próximo ano com a novela teen. "A preparação com o elenco foi algo como eu nunca tinha feito antes na minha carreira. Fui formada fora do Brasil, então estou ligada em diferentes técnicas, mas a do Milevicz é algo espetacular. Abriu o olho de todo mundo", revela.
Quando Julia se mudou para a Argentina, acabou se envolvendo com o teatro musical. Encantada com a profissão, Julia resolveu estudar nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, teve a sorte de fazer o cadastro na Globo quando estavam procurando justamente por uma atriz pernambucana que tivesse um perfil musical para fazer a Janaína, de "Geração Brasil". "Foi inesperado, mas muito bem-vindo. Fiquei surpresa com o chamado porque tinha acabado de voltar, mas deu tudo certo e depois disso emendei um trabalho no outro", conta, referindo-se à participação que fez em "Sete Vidas" antes de passar para "Malhação".
Por ter crescido fora do País, o sotaque pernambucano de Julia nunca foi muito forte. No entanto, a atriz teve de resgatá-lo para "Geração Brasil". Após a novela acabar, o sotaque "grudou" um pouco. E, para que essa característica não a atrapalhe em cena, está recebendo dicas de uma fonoaudióloga para deixá-lo mais neutro. "Tem algumas palavrinhas que são mais difíceis. Nas cenas em que estou muito nervosa volto com o sotaque como se estivesse em Recife. Aí tenho de parar e pensar: 'Julia, a Ciça não é nordestina!'. Mas a gente vai corrigindo", confessa.


