Entre o ardor e a tragédia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de julho de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
O diretor e dramaturgo Cesar Almeida não passa incólume com suas experimentações cênicas o espectador gosta ou odeia aquilo que produz. Parece que a batalha vem sendo ganha por Almeida Ardor, Uma Tragédia Curitibana GLS vem atraindo um bom público que está aplaudindo a montagem.
Sem esquecer do mau humor enfrentado em outras temporadas, ele diz, satisfeito, que é difícil agradar a todos, mas Ardor está conseguindo isso. No último espetáculo, inspirado em Esperando em Godot, havia a proposta de uma encenação dúbia a platéia ficava na dúvida se os atores estavam representando ou improvisando. Agora estou indo mais fundo na proposta, afirma.
Cesar Almeida credita parte do sucesso ao elenco Fabiano Amorim, Guta Borges, Carla Rodrigues, Glauco Menta além dele próprio: Estão todos envolvidos com o trabalho. Ardor chegou ao palco através do incentivo do Encena Brasil, do Ministério da Cultura. Concorreu com 700 projetos de todo o Brasil, onde foram selecionados 130, sendo cinco paranaenses.
O enredo baseia-se em fatos reais ocorridos em Curitiba, sobre um casal homossexual. Dois homens se apaixonam e vivem uma relação que dura sete anos. O fim do romance termina em tragédia. A temática é recorrente na obra do ator-diretor-dramaturgo, que luta para amenizar o preconceito sofrido pelas minorias.
Ele confessa que no início foi difícil encarar o trabalho, mesmo porque ele conhecia as pessoas envolvidas. Durante os ensaios foi possível ultrapassar as barreiras. Saímos da realidade e transformamos a violência em obra de arte.
Realidade e ficção caminham juntas, porém, a lembrança dos artistas interrompendo a cena e escancarando que tudo não passa de uma representação, ajuda a aliviar a tensão da morte. O crime por si só já foi teatral, fala Almeida.
Ardor Uma Tragédia Curitibana GLS, de Cesar Almeida. Com Fabiano Amorim, Guta Borges, Carla Rodrigues, Glauco Menta, Cesar Almeida. Miniauditório do Teatro Guaíra, em Curitiba, de quinta a domingo, às 21 horas. Em cartaz até 21 de julho. Ingressos: R$ 8,00 e R$ 5,00 (classe, estudantes e maiores de 60 anos).


