Entre o amor e a guerra
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de agosto de 2000
Celso Mattos De Londrina 
Ao longo dos últimos 65 anos, os livros do escritor inglês Graham Greene deram origem a cerca de 30 filmes, entre eles Alma Torturada (1942), Quando Desceram as Trevas (1944) e A Ponte do Destino (1957). Ironicamente, The End of the Affair, o mais autobiográfico de seus livros, gerou apenas um filme mediano em 1955, Pelo Amor de Meu Amor, com Deborah Kerr e Van Johnson.
Quando o diretor e roteirista Neil Jordan, responsável por filmes como Traídos pelo Desejo e Entrevista com o Vampiro resolveu levar às telas uma nova versão da obra de Greene a expectativa foi grande. Desta vez, porém, os fãs do escritor não decepcionaram. Fim de Caso, que acaba de chegar às locadoras, foi considerado uma das melhores transposições de Greene para o cinema. O filme foi indicado a dois Oscars: melhor fotografia e melhor atriz, para Julianne Moore, mas acabou saindo da festa de mãos vazias, o que não desmerece mais este belo trabalho de Jordan.
Em Fim de Caso, Ralph Fiennes interpreta um escritor obcecado por sua amante desaparecida. Em sua busca, ele se envolve com o marido dela e com o detetive contratado para encontrá-la, tudo isso tendo como pano de fundo a Segunda Guerra, que dividiu o mundo e também o casal de amantes. O filme, na verdade, é uma ótima surpresa para quem quer assistir a um romance adulto e nem um pouco glamourizado.
Passado na Londres dos anos 40, ele tem uma bela fotografia, interpretações marcantes e uma direção de tirar o fôlego. Fim de Caso é uma história de amor madura, o que é raro no cinema hoje em dia. Com uma narrativa que viaja no tempo, Jordan criou uma atmosfera que lembra os bons filmes da década de 40 e 50, como Casablanca e Tarde Demais para Esquecer. Uma fita que toca fundo a alma de quem já viveu um grande amor. Lançamento da Columbia. Duração: 112 minutos.
OUTRAS SUGESTÕES
ReproduçãoCom humor e leveza, o filme mostra como o amor vence os mal-entendidos
Bossa Nova
A cidade do Rio de Janeiro retratada em Bossa Nova é um lugar de encontros e desencontros entre personagens divertidos e envolventes. É onde solitários e sonhadores descobrirão os seus pares. No filme, o diretor Bruno Barreto faz homenagem ao Rio como Woody Allen fez a Nova York com Manhattan. Com leveza e humor, Barreto conta como o amor vence a barreira das línguas diferentes e dos mal-entendidos.
Fugindo da auto-análise característica na maioria das produções brasileiras,Bossa Nova lembra as comédias românticas dos anos dourados de Hollywood em que o espectador ri e chora. O único defeito do filme é o excesso de personagens. Com tanta gente em cena, o roteiro acaba prejudicado. No elenco estão Amy Irving, Antônio Fagundes, Deborah Bloch e Alexandre Borges, só para citar os principais. Deslizes à parte, Bossa Nova é delicioso de assistir. Lançamento da Columbia. Duração: 95 minutos.
Charada,
Charada
Este é o filme que a Associação Médica de Londrina exibe neste sábado, em sua sessão de Cinema em Vídeo. Em Charada (1963), o homenageado do mês, Walter Matthau, está acompanhado de Cary Grant e Audrey Hepburn. O filme conta a história de uma parisiense rica, bonita e jovem que volta de férias e descobre que o marido morreu. Com a ajuda de um estranho que conheceu por acaso, tenta descobrir o que aconteceu, sem saber que seu companheiro é o principal suspeito.
Para os críticos, o filme dirigido por Stanley Donen, é a melhor imitação de Alfred Hitchcock que Hollywood já fez, com mocinho, mocinha e vilões memoráveis. A sessão de Cinema em Vídeo começa às 17 horas, na sede cultural da AML, na Praça 1º de Maio, 130, com entrada franca.


