ENTRE NOMES CONSAGRADOS
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de março de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
O poeta, escritor, tradutor e jornalista londrinense Rodrigo Garcia Lopes vai figurar entre os maiores nomes da poesia brasileira na coletânea Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século, que será lançada pela editora Objetiva em maio, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
A notícia chegou ao autor há duas semanas, através da agente literária Lúcia Riff, que informou sobre a escolha do poema Stanzas in Meditation pelo organizador do projeto, Ítalo Moriconi. O texto faz parte do livro Visibilia (Sette Letras, 97) e estará publicado junto a textos de autores consagrados, como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar, Cecília Meireles, Paulo Leminski e outros. A editora pretende divulgar a lista completa dos poemas escolhidos somente às vésperas do lançamento.
O projeto segue a mesma linha de Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, também organizado por Moriconi e publicado no ano passado, vendendo até agora 50 mil exemplares. A coletânea trará 61 poemas de autores brasileiros, incluindo poetas da nova geração como Lopes, Antonio Cicero, Cláudia Roquete-Pinto e Carlito Azevedo.
Levei um susto e fiquei super feliz, conta. Pra mim é fantástico ser reconhecido em um livro desta dimensão. A primeira tiragem sai com 10 mil exemplares e a repercussão será grande. Isso me abre portas e facilita contatos com outras editoras para fazer meu trabalho circular em nível nacional, comenta o poeta londrinense, que ainda se surpreende por estar na coletânea. Acho curioso ser considerado um dos poetas que marcam a poesia brasileira do final do século.
Rodrigo Garcia Lopes prefere não classificar nem enquadrar sua obra. O que caracteriza a minha poesia é o fazer poético. É um trabalho bastante eclético. Não me enquadro em nenhuma tradição da poesia brasileira. Dialogo não só com a poesia brasileira, mas também com poetas estrangeiros que traduzo. Por isso passo essa visão meio cosmopolita, sem me enquadrar em tendências. O poeta acredita que a escolha de uma poesia dele para a coletânea talvez tenha acontecido justamente por representar a fuga à tradição da poesia brasileira e apresentar uma abertura para outras poéticas e tradições.
Ver seu trabalho em meio a tantos ícones da poesia nacional é motivo de orgulho para Lopes. Me sinto dividindo o mesmo espaço com grandes nomes. Aos 35 anos e no meu terceiro livro, tenho muita coisa para fazer ainda, mas este convite veio num momento em que estou precisando de reconhecimento, diz. Esta é uma oportunidade que vários autores brasileiros buscam. A gente tem que se sujeitar à política literária que privilegia uns em detrimento de outros, reclama. Agora, é o suor de um trabalho que está sendo valorizado. Espero que isso abra meu trabalho para um público maior.
Enquanto aguarda a publicação da coletânea, o poeta está concluindo outros dois trabalhos individuais. Um deles é o livro Mindscapes Poemas de Laura Riding, um olhar anárquico sobre a institucionalização da poesia e a construção de falsos mitos poéticos. O autor deve entregar o material à editora Iluminuras até o final deste mês, com previsão de lançamento em junho.
Este livro traz 48 poemas de Laura Riding traduzidos por Lopes, que em 1999 defendeu tese de doutorado sobre a obra de escritora norte-americana. Esta é uma edição crítica, com bibliografia, ensaios, poemas, fotos e textos escritos por convidados, antecipa.
O londrinense também está produzindo um CD com 16 faixas, sua primeira incursão em uma linguagem diferenciada. Trata-se de uma antologia de poemas próprios e de outros autores, com três vertentes: poemas-canções, poemas com trilha sonora e poemas falados com efeitos de estúdio. Além de ser um registro do meu trabalho na área da poesia e da performance, O CD tem como objetivo atrair mais o público a partir de leituras e shows, encurtando a distância do leitor para a poesia. Ainda sem título, o CD será concluído até o final deste mês e deve ser lançado também em junho.
Além desses trabalhos, Rodrigo Garcia Lopes tem outros dois livros prontos, que serão editados através de projetos aprovados pela Lei de Incentivo à Cultura de Londrina. Polivox traz poemas escritos a partir de 1997. Abracadapalavra é uma reunião de poemas de livros anteriores, que agrega uma oficina de poesia e performances em escolas.


