Curitiba - Organizadores de excursões precisam ser seletivos: os três empresários entrevistados pela Folha não se deixam seduzir por qualquer atração gringa que chega aos palcos do eixo Rio-São Paulo. ''Me informo pelo Orkut, me comunico pelo MSN. Geralmente, quando anunciam algum show importante, algum cliente já liga cobrando excursão. Quando ninguém comenta, é porque não vai dar certo'', diz Antonio Pedro da Luz Junior, da Trilhas e Milhas.
A margem de lucro dos pacotes para shows internacionais é considerada razoável. As empresas de turismo enxergam nas excursões possibilidade de divulgação para outros serviços. ''Nossa margem de lucro nas excursões para shows é entre 10% e 15% do investimento. Elas funcionam mais como divulgação dos pacotes de turismo. Este ano fizemos apenas uns cinco shows porque não queremos ficar marcados como uma empresa de transporte rodoviário para eventos'', explica Diego Medroni, da MD Tur.
Em alguns casos, a procura é surpreendente: a maior excursão que a Amplitur promoveu foi no começo de 1998, quando o U2 se apresentou no Brasil com a turnê Pop Mart. Para uma apresentação em São Paulo, a empresa levou 1.100 fãs da banda irlandesa, em 25 ônibus. ''Conseguimos autorização para fechar o estacionamento do Parque Barigui, onde embarcamos todo mundo'', diz João Roberto Dahleim.
Em outras situações, o resultado decepciona. Mesmo assim, os empresários entrevistados pela Folha2 se dizem adeptos da política de levar o cliente para o show programado a qualquer custo: se a procura é pequena, cancela-se o ônibus e aluga-se uma van. ''Excursões que têm pouca gente praticamente não dão lucro. Mas mesmo nesses casos a gente faz para mostrar que é sério e divulgar para o futuro'', argumenta Luz. ''Nunca cancelamos excursões. Se você fizer isso, a pessoa vai fazer propaganda negativa da empresa. É melhor tomar o prejuízo'', aponta Medroni.
Nos últimos anos, os organizadores de excursões presenciaram alguns dos shows mais importantes que o Brasil já recebeu: Rolling Stones, U2, White Stripes, Strokes. Mesmo com o trabalho, dá para curtir o show? ''Só nas nossas excursões, em festivais e shows individuais, vi 110 shows nacionais e internacionais. Hoje, perdi totalmente o tesão por show. Depois de um tempo, fica tudo igual. Você perde a referência. Além disso, você tem que se preocupar com os passageiros'', explica Dahleim.
Ainda assim, o clima de camaradagem alivia o estresse de horários, contas e imprevistos. ''Nas excursões, existe aquela conexão com os outros passageiros, de pessoas que gostam de uma coisa em comum. Já teve gente que começou a namorar em excursão'', conclui Luz. (F.G.)

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