Entre gritos e suspiros
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segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Simone Mattos 
Gritos, câmara fotográfica e um bloquinho com caneta. Este é o material necessário para criar uma boa cena de tietagem, desde que tenha um ídolo por perto. Tão antiga quanto a história da televisão, do rádio ou dos palcos, a histeria coletiva em torno de artistas continua intensa, atingindo públicos de todas as idades, em qualquer lugar do planeta.
Fotos: Leandro TaquesCerca de 1.500 adolescentes esperaram várias horas, lotando os corredores do shopping, na tentativa de conhecer de perto o Rappa e o SkankCuritiba, final de tarde de sexta-feira. Cerca de 1.500 adolescentes usaram como cenário os corredores do Shopping Curitiba. A cena tinha dois bons motivos: a presença das bandas Rappa, do Rio de Janeiro, e Skank, de Minas Gerais, que fizeram shows na cidade naquela noite.
As filas duplas, triplas ou quádruplas, formadas em frente às lojas onde os artistas distribuiam beijos e autógrafos, se transformaram logo numa multidão barulhenta, que tomou conta do shopping.
Segundo o departamento de marketing, apesar da confusão, a iniciativa vale a pena para o shopping. Para garantir a tranquilidade dos clientes e o funcionamento das outras lojas, dez seguranças foram destacados para a ocasião.
Entre empurrões, muitos gritos e a expectativa de ver de perto seus maiores ídolos, o casal Raphael Santos e Roberta Saporiti, ambos estudantes de 17 anos, esperaram pacientemente por mais de quatro horas. Amamos o Rappa, todo mundo gosta, é a melhor banda do Brasil, diziam. Eles têm todos os discos e assistiram todos os shows que o grupo fez em Curitiba. Apesar de adorar o Falcão (vocalista do Rappa), tenho ciúmes da Roberta. Ela gosta demais dele, disse Raphael.
Raphael Santos e Roberta Saporiti são fãs do Rappa e adoram o vocalista Falcão. Temos todos os discos e já assistimos todos os showsTalvez a paixão seja genética, pois as duas irmãs da estudante, Rejane e Rafaela Saporiti, de 14 e 15 anos, também são fãs de carteirinha do vocalista Falcão. O nosso quarto é cheio de posters e fotos dele e de toda a banda, contaram elas, que também aguardavam impacientes por um autógrafo. Todo mundo no colégio ama o Rappa.
Quem chegou no shopping depois das 15h, não conseguiu nem mesmo se aproximar da multidão que lutava para conhecer de perto a banda carioca. Este foi o caso de Érika Marcílio, 16 anos. Ela conseguiu passar sua máquina fotográfica para as mãos de uma amiga, que estava prestes a entrar na loja, mas desistiu de tentar chegar perto. Érika reclamou do preço do show (R$ 15,00) e disse que, por isso, não poderia ir. Eu não trabalho, só estudo, e este valor é de um quarto da minha mesada, explicou.
No entanto, há quem não se importe e pague qualquer preço para ver de perto a sua banda preferida. Eu faria qualquer coisa para vê-los, mas não tenho idade para entrar no show, lamentou Murilo Augusto de Paula Souza, 14 anos. Ele e o seu colega, Felipe Santiago dos Santos, mataram a última aula e garantiram um lugar no shopping desde o final da manhã.Milton Dória/DivulgaçãoUma das mais jovens fãs do Skank, Isadora Silveira Maia, consegue um autógrafo de seu ídolo, o vocalista Samuel RosaQuanto maior o sucesso, maior o assédio de fãs e admiradores que estão sempre dispostos a sacar uma caneta e pedir autógrafos
Faria qualquer
coisa para vê-los, mas
não tenho idade


